Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Vídeo: Depoimento de laranja liga doleiro ao PSDB

No depoimento, Leonardo Meirelles cita um antigo padrinho político de Alberto Yousseff: um parlamentar que é da mesma região do doleiro.
A dedução é que se trate do senador Álvaro Dias. E não é difícil concluir se tratar do senador. Yousseff é de Londrina, no norte do Paraná, mesma região do senador. Em 2001, o senador foi investigado pelo envolvimento com o doleiro - voou em aeronave emprestada por ele, como relatou a Folha de S. Paulo.  Dias também era um dos dois tucanos que faziam parte da CPI da Petrobras em 2009 e que deixaram a CPI antes que ela se concluísse.  Paulo Roberto Costa já disse que o então senador Sérgio Guerra, o outro tucano da CPI, que era presidente do PSDB, recebeu R$ 10 milhões da Queiroz Galvão para que o partido esvaziasse a investigação.
O advogado de Yousseff, que tem ligações com o tucanato paranaense, foi à imprensa desmentir Meirelles.  
Abaixo você pode ouvir parte do depoimento do laranja de Yousseff ao juiz Sérgio Moro. 
O texto é de Miguel do Rosário.


No Cafezinho




(Trecho do depoimento de Leonardo Meirelles, feito nesta segunda-feira, dia 21 de outubro de 2014)

A Globo fez um escarcéu com o vídeo (na verdade um áudio, filmando um teto), no qual Paulo Roberto Costa e Yousseff envolviam o PT nas falcatruas da Petrobrás.

Pois bem, eles não deram atenção a outro vídeo, vazado hoje, em que o “testa de ferro” do doleiro, Leonardo Meirelles, declara que Yousseff tinha negócios com o PSDB e com um senador do Paraná, da mesma região do doleiro. E que seria seu “padrinho”.

Meirelles praticamente nomeou Alvaro Dias.

Já sabíamos, há tempos, que Álvaro Dias tinha andado no jatinho do doleiro bandido Alberto Yousseff.

Ou melhor, usou o jatinho durante toda a sua campanha de 1998.

Mas tucano pode tudo, e a história morreu.

Álvaro Dias é o substituto de Demóstenes Torres junto à grande mídia e não interessa à ela queimar seu melhor amigo.

Aí apareceu o tal Sérgio Moro, o mesmo juiz que havia prendido o doleiro por crimes contra o sistema financeiro, há vários anos, interrogando o mesmo bandido.

A fama de duro de Moro tem sido um tanto exagerada, porque ele não condenou ninguém no processo do Banestado. Quer dizer, prendeu Alberto Yousseff, o doleiro, uma espécie de mordomo de luxo dos ricaços. Mas depois o soltou, através de uma delação premiada que não deu em nada.

Pela segunda vez, depois de Yousseff quebrar todos os acordos com a justiça, Moro concede a ele o direito de delação premiada. Oficialmente e extra-oficialmente, porque não está claro se os depoimentos vazados sistematicamente pela justiça para a imprensa são da parte secreta ou da parte pública do processo.

Os depoimentos de Yousseff e Costa são ambos vazados pelo advogado de Yousseff, o senhor Antonio Augusto Lopes Figueiredo Basto, que já trabalhou em governos tucanos e tem profundas e antigas ligações com o PSDB.

O advogado do doleiro é uma figura que já trabalhou no governo do PSDB.

No dia do último debate, o staff de Aécio, apavorado com a possibilidade de Dilma entrar rasgando mais uma vez, jogando-lhe na cara todos os seus velhos vícios, plantou na Veja e na Globo um blefe pesado.

O blog de Gerson Camarotti trazia uma ameaça. O senador Alvador Dias havia obtido todos os depoimentos de Alberto Yousseff e repassado para o senador Álvaro Dias, que por sua vez os entregou para Aécio.

Terrorismo barato para fazer o staff da Dilma recuar um pouco.

Hoje, Folha e Estadão, num lapso, informaram outros links de Álvaro Dias com o doleiro bandido.

E não é com delação premiada não. É depoimento mesmo, aberto, à Justiça.

A Globo já está desesperada, tentando abafar ou neutralizar o depoimento de Meirelles, que atrapalha o golpezinho armado entre ela, Álvaro Dias e o advogado do próprio Yousseff.

Duvido que vá para o Jornal Nacional.

Em vez de apurar o que disse Meirelles, a Globo está tentando repercutir o advogado de Yousseff, negando as ligações do doleiro com os tucanos.

Claro que o doleiro vai negar. A armação da delação premiada dele e de Paulo Roberto Costa foi articulada justamente com o PSDB.

O próprio juiz, Sergio Moro, tem sido criticado até mesmo pela OAB, por estar permitindo que a operação Lava Jato seja manipulada politicamente por criminosos, seus advogados, o PSDB e a mídia, os dois últimos interessados em interferir nas eleições.

É importante lembrar que Sergio Moro foi o juiz que escreveu o incrível voto de Rosa Weber condenando José Dirceu, e que foi decisivo. Com os argumentos de Moro, a ministra Rosa Weber declarou que “não tinha provas contra Dirceu, mas iria condená-lo, mesmo assim, porque a literatura assim o permitia”. Uma pérola histórica do fascismo judiciário, em que o juiz se arvora superior à Constituição e ao espírito humanista que preside o direito penal de uma democracia.

Comentários

Postagens mais visitadas