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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Petrobras, ontem e hoje: Breve memorial da ação dos lobbies e partidos aliados na estatal em outros tempos

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa





Por Maurício Dias
Na Carta Capital

A mídia fechou os olhos à afirmação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, feita à Justiça Federal do Paraná, de que sempre houve indicação política para as diretorias daquela estatal. Com o conhecimento adquirido em 30 anos de trabalho na empresa, falou que o esquema ocorria desde os governos de Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e Lula. Costa, no entanto, afirmou que o suposto esquema de corrupção só teria começado em 2005. “Eu fui indicado pelo deputado José Janene.” Falecido em 2010, não dá para o ex-parlamentar do PP confirmar. Assim, para todos os efeitos, a culpa é do morto.

Ironia à parte, indicação política na Petrobras existe desde a fundação da empresa, criada em 1954, quando foi dirigida pela anfíbia figura de cearense-baiano do militar e político Juracy Magalhães. Com o tempo, tornou-se prócer da UDN. Surgiram da “delação premiada” de Costa, cuja íntegra foi amputada por interesses eleitorais, pequenos trechos lançados em plena disputa pela Presidência da República. A presidenta Dilma Rousseff falou em golpe e acertou. Assim é a política golpista.

De todos os presidentes pós-ditadura, Costa não citou a presidenta. A razão, nesse caso, é elementar. A inclusão do nome de Dilma Rousseff sem apresentação de provas, como tem ocorrido até agora, ameaçaria até mesmo a realização da eleição. Incendiaria o cenário e poderia forçar a divulgação do inteiro teor da delação.

Mas não há interesse em revelar a verdade. O objetivo é insinuar, sugerir, provocar. Não importa provar. E o Brasil precisa saber, doa a quem doer, o que de fato se passou na Petrobras.

Admitida como verdadeira a lista do delator, é possível perguntar por que razão só no governo Dilma as indicações políticas na Petrobras teriam sido encerradas? Isso só seria possível, para começar a pensar com honestidade, se ela tivesse rompido com os partidos da base aliada.



Costa apresentou, porém, outro marco sobre os assuntos internos da estatal. Foi muito além do jogo político do partido do governo e seus aliados. Segundo dizem, ele afirmou que o sistema de corrupção só passou a funcionar em 2005. Deslavada mentira.

Em 2003, este colunista publicou um despretensioso livro (A Mentira das Urnas – Crônica sobre dinheiro & fraude nas eleições. Ed. Record), no qual incluiu um documento interno oficial, da BR Distribuidora, enviado ao então presidente da Petrobras, Francisco Gros, em 12/7/2002, referente a episódios de anos anteriores. Eram os dias finais do governo FHC.

O tema na pauta do documento explicava parte do fracasso do Plano do Álcool. Escrevi na ocasião que o documento revelava a interferência dos partidos aliados do governo FHC “para viabilizar apoio financeiro de campanhas eleitorais”.

Um trecho inédito do relato diz: “Havia ainda lobistas buscando a intermediação da venda de álcool para a BR em condições desfavoráveis para a companhia”, e cita a existência de “possíveis cotas partidárias”.

“Possíveis” foi a palavra usada para acobertar o assédio imposto pelos políticos, então aliados à base do governo tucano.

O assunto, diferentemente de agora, foi abafado. E assim ninguém perguntou ao presidente FHC se ele sabia o que se passava na Petrobras.

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