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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Continua sendo difícil derrotar Dilma no segundo turno?

Disse isso no blog no sábado
"Em 2006, contra Alckmin, Lula, a 1,4 pontos de vencer no primeiro turno, obteve uma tênue vantagem de 7 pontos percentuais no primeiro turno: 48,6% a Alckmin 41,6%.
Já em 2010, Dilma ficou com 46,9% no primeiro turno contra 32,6 de Serra."   
Há semelhanças e diferenças nos resultados desse ano: Dilma termina o primeiro turno com 41,59% - 5,4 pontos a menos que em 2010. No entanto, esses pontos não foram para o adversário do segundo turno, já que Aécio terminou com 33,55% - apenas um ponto a mais que Serra em 2010.

Dilma terminou o primeiro turno deste ano com 4,2 milhões de votos a menos (43,2 milhões).  Aécio só teve 1,7 milhões de voto a mais que Serra (34,8 milhões).  Marina que teve apenas dois pontos percentuais a mais que em 2010, cresceu 2,5 milhões de votos (22,1 milhões).  
Outra grande mudança foi que a candidatura do PSOL quase dobrou o número de votos. Plínio teve 0,87%, ou 886 mil votos. Luciana Genro teve 1,55% ou 1,6 milhões de votos.  

Ou seja, os votos que Dilma perdeu entre 2010 e 2014 foram transferidos para esses três adversários. É realmente mais difícil pelo contexto eleitoral de 2014 a Dilma garimpar votos entre o eleitorado de Marina, fortemente composto por eleitores antipetistas - além de marineiros que podem se sentir ressentidos pelo teor da campanha petista no primeiro turno. 

Mas Dilma ainda tem um caminho mais fácil que Aécio: ela precisa de menos que a metade dos votos que o adversário no segundo turno para vencer a eleição.  Podemos imaginar que a absoluta maioria dos eleitores da esquerda do PSOL não votariam em Aécio - podendo anular o voto ou votar em Dilma.  Assim, dos 22,1 milhões de votos de Marina, Dilma precisaria de cerca de 7 ou 8 milhões para vencer a eleição no segundo turno (51,2 milhões x 50,6 milhões).

Segundo as últimas pesquisas do primeiro turno, cerca de 15% dos eleitores não votavam mas poderiam votar em Dilma.  Ou seja, dentre esses 15% do eleitorado que pode votar nela, Dilma só precisa convencer cerca da metade (8%).  Dos cerca de 40% que não votavam em Aécio mas poderiam votar (o valor deve ter sido reduzido a 35% em virtude do crescimento do candidato na reta final), o candidato precisaria convencer pelo menos a metade (18%) para votar nele.  

Surpreendeu a redução da votação de Dilma, mas o cenário ainda parece favorável à candidata a reeleição.  Acredito, no entanto, que as primeiras pesquisas a saírem esta semana devem apontar uma situação de empate técnico - talvez até com Aécio à frente.  Mas o decorrer das três semanas que nos separam do segundo turno devem colocar as coisas no eixo mais coerente.

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