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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Auditoria das eleições é erro político do PSDB

Por Kennedy Alencar
http://www.blogdokennedy.com.br/auditoria-de-urna-eletronica-e-erro-politico-do-psdb/

O PSDB fez ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um pedido de auditoria especial no sistema de votação e de contagem de votos. É um direito do partido apresentar tal pleito. Mas, ao mesmo tempo, é um erro político.

O deputado federal Carlos Sampaio, coordenador jurídico do PSDB, afirma que não se trata de um pedido de recontagem de votos, mas de uma checagem sobre o processo eletrônico de votação e de apuração. Sampaio também diz que o TSE se comportou de modo imparcial e que o partido não está questionando a lisura do processo. Afirma não ter prova de eventuais fraudes.

No entanto, a mensagem que o PSDB transmite é a de contestação do resultado. Lança um voto de desconfiança sobre o sistema de votação e apuração baseado em mensagens que os tucanos estão recebendo nas redes sociais.

Segundo Sampaio, a auditoria especial com técnicos do TSE e dos partidos seria uma forma de acabar com uma dúvida que há no país.

A democracia brasileira está consolidada e tem instituições sólidas. Tivemos a sétima eleição presidencial seguida. O PSDB esteve na Presidência durante oito anos e polariza a disputa presidencial com o PT há 20 anos. Para fazer um pedido dessa natureza, seria importante que o partido tivesse evidências e indícios de eventuais fraudes.

O pedido de auditoria acirra ainda mais o clima beligerante entre governo e oposição. O PSDB alimenta radicais nas redes sociais e, de certa forma, dá crédito a teorias conspiratórias.

Carlos Sampaio afirmou também que Aécio Neves, o candidato do PSDB à Presidência, disse ver lógica e sentido no pedido. Mas há pouca lógica e sentido. Desde a redemocratização, em 1985, nunca houve uma contestação séria feita por um partido político relevante ao resultado eleitoral.

Eleição se ganha ou se perde. E todos aceitam o resultado. Instaurar um sentimento de desconfiança em relação ao processo de votação e apuração parece um retrocesso político. Evoca a República Velha, uma política pré-revolução de 30, quando fraudes eram comuns e uma parcela pequena da população tinha direito a voto.

Os tucanos fariam melhor se buscassem entender como perderam uma eleição em que 70% dos eleitores queriam mudança. Faltou conexão com a vida real do cidadão. Melhor gastar energia com isso do que endossar acusações sem evidências ou indícios espalhadas nas redes sociais.

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