Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O Senhor me deu Seu Espírito (…) e me enviou (…) [para] libertar os que estão sendo oprimidos

Lucas (Lc. 4. 18) relata que Jesus tomou o livro de Isaías na Sinagoga e leu esse trecho. E depois anunciou: “Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir” (Lc. 4. 21).
Ao anunciar o “tempo em que o Senhor salvará o seu povo”, Isaías complementa que o Servo seria enviado "para consolar os que choram” (Is. 61.2).
A tradição do cristianismo identifica o texto de Isaías como uma profecia acerca de Jesus. E entende que o ministério de Jesus, o Messias, ungido pelo Espírito, é continuado pela igreja.
Fiquei pensando de ontem para hoje em uns tantos oprimidos aos quais a igreja negligencia ajuda para se libertar: as mulheres submetidas ao machismo, os negros submetidos ao racismo, os trabalhadores submetidos à exploração, os homossexuais e trans submetidos à transhomofobia.
Em vez de libertar mulheres do machismo, temos um candidato pastor acusado por violência doméstica.
Em vez de libertar os negros do racismo, temos um pastor deputado que os chama de amaldiçoados publicamente.
Em vez de ajudar a libertar trabalhadores da opressão, reclamamos quando lutam por seus direitos em greves, ocupações. Ou defendemos flexibilizar seus direitos. Ou modificar a lei que tipifica o trabalho escravo no país.
Os cristãos pretendem, às vezes parece, trancafiar os gays em seus armários e atirá-los às chamas do inferno.
Fiquei pensando que libertar os oprimidos bem pode significar nos dias atuais ajudar a arrombar as portas de tantos armários que ainda existem a serem abertos. E ajudar os oprimidos a encontrar libertação.

Comentários

Postagens mais visitadas