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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

“Transparência” da Câmara de Natal completa um ano sem atualização

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Você paga, mas não sabe o quê, a quem, nem quanto. Essa é a realidade dos natalenses em relação à Câmara Municipal do Natal. Há um ano o “Portal da Transparência” do Legislativo não é atualizado. Além de ser ilegal, pois contraria a obrigatoriedade prevista na Lei Complementar 131/2009, a falta de atualização impede o acesso às informações de gastos e pagamentos feitos com dinheiro público, ou seja, seu dinheiro.

Dentro do “portal” (http://www.cmnat.rn.gov.br/transparencia), o item despesas só permite verificar os gastos relativos a 2013, ainda assim o montante acumulado até o mês de maio (R$ 19.986.750,05) é exatamente o mesmo se for consultado o mês de dezembro. Isso prova que os dados não foram atualizados nos últimos sete meses de 2013, muito menos nos cinco primeiros de 2014.

E o dinheiro sobre o qual não se consegue saber nada não é pouco. De acordo com o orçamento da Prefeitura do Natal para 2014, durante este ano a Câmara de Vereadores deverá receber um total de R$ 56 milhões em recursos públicos.

Salários – E sabe quanto ganham os vereadores ou servidores da CMN, que são pagos com seus impostos? Também não é possível descobrir através do chamado Portal da Transparência. No link “recursos humanos” há um espaço onde informar o nome do servidor, contudo mesmo ao se digitar alguns dos mais comuns - José, João, Maria ou Ana – o sistema apresenta resultado vago, inexistente. O mesmo se repete digitando o nome completo dos "legisladores".

Além de desatualizados, os dados também são incompletos. Quem quiser saber como se gastava o dinheiro em maio do ano passado, simplesmente não terá acesso a nenhuma informação detalhada. Ao clicar nos tipos de gastos como “administração de recursos humanos” ou “informatização do legislativo”, abrem-se páginas sem qualquer número, ou melhor, com a “informação” de que os “sub-elementos de despesas” totalizam R$ 0,00.

Obrigação – Manter um portal da transparência não é favor, é obrigação. Todas câmaras de vereadores têm de disponibilizar esse instrumento “em meio eletrônico de acesso público”, permitindo “o pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira”.

A legislação que trata dessa obrigatoriedade (Lei Complementar 131) é de maio de 2009 e previa que os legislativos de municípios com mais de 100 mil habitantes disponibilizassem o portal no prazo de até um ano. Porém, cinco anos depois a exigência continua sem ser atendida na capital potiguar.

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