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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"Aeroporto Aluísio Alves - São Gonçalo do Amarante: Para o sonho não virar pesadelo

Por Marcos Dionisio Medeiros Caldas
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos

Fiz as arengas que estavam ao meu alcance e outras que jamais poderia travar, observada a correlação de forças e os interesses econômicos, desde que Natal foi escolhida Sede da Copa do Mundo.
Participamos da criação do Comitê Popular da Copa - Natal 2014 e da Associação dos Atingidos pelas Obras da Copa - APAC.
Num tempo em que todos estavam embriagados pela condição de sermos de Sede da Copa, trouxemos, junto com outras mentes críticas e apaixonadas por Natal, algumas reflexões sobre as obras necessárias para uma Natal fraterna e terna - como nos encantava a cantiga Praieira de Otoniel Menezes e Eduardo Medeiros - e as que estavam nos "laboratórios" para serem efetivadas pela administração, dita Verde, de Natal que trucidavam o Direito Humano à Moradia de mais de uma milhar de famílias no Bom Pastor, Av. Mor-Gouveia, Av. Felizardo Moura , Av Industrial Francisco Motta e da Rua Compositor João Luis, dentre outros logradouros.
Procuramos fazer a luta com tenacidade, pobreza e zelo.
Procuramos ser elegantes, justos, cuidadosos e educados.
Por vezes estivemos prestes a rompem os limites de civilidade a que nos impomos, às vezes quase perdendo a ternura. Muitas vezes tivemos que inventar ou reinventar a criatividade para “escaparmos” e fazer a luta seguir com possibilidade de vitória, o que foi alcançado.
Vivemos momentos de muita tensão, de bate-bocas, de indignação. Mesmo nesses momentos reconhecemos a grandeza de pessoas que defendiam pontos de vista antagônicos aos nossos, como os então Secretários, Sérgio Pinheiro e Wálter Fernandes e os componentes da atual gestão municipal, como Wálter Pedro e Alexandre que, após entre choques, laboraram em acerto ao aceitarem, mediante compromissos assumidos pelo Prefeito Carlos Alves perante o Comitê Popular da Copa - Natal 2014, a APAC e ao Instituto Ethos e o Comitê Jogos Limpos, a evitarem as funestas Desapropriações para pretensas obras de Mobilidade.
Digo isso porque o Rio Grande do Norte precisa reinventar a esperança e o orgulho e na medida que se nos preparamos para receber o funcionamento do novo Aeroporto, assaltam-me uma série de questionamentos que queria compartilhar com amigos e amigas da Terra de Poti e até com pretensos inimigos que possa, mesmo sem querer, amealhado ao longo da vida.
Como apenas agora, alguns estão descobrindo a distância e os problemas de acesso a São Gonçalo do Amarante, coisas que sempre me pareceram óbvias, encontro-me ensimesmado com alguns aspectos que me parecem graves.
São tantos e tamanhos atropelos que a sociedade potiguar padeceu nos últimos anos que, mesmo correndo o risco de chover no molhado ou até ser injusto com alguns, o amor que me prende a essa terra e aos seus habitantes e o compromisso de tentar promover os Direitos Humanos para todos é que me levam a ousar fazer perguntas óbvias e que já devem está devidamente saciadas nos meandros da Administração Pública e dos órgãos de Controle, senão, vejamos:
1. O Aeroporto Aluísio Alves já recebeu o habite-se?
2. Será que todos os cuidados com referência à necessária segurança estão devidamente observados?
3. Como no episódio do Arenas das Dunas não há um aperreio e pressões de última hora?
4. Em não estando tudo devidamente saciado, não seria o caso de mais um curto adiamento para não se correr riscos desnecessários?
São arguições singelas que faço movido pela verificação de que em inúmeros episódios a improvisação reinante e a falta de sequência lógica administrativa nos pôs em risco evitáveis. De longe acompanhei pelejas para se liberar um show, a abertura de um ponto comercial, uma caminhada , uma praça , uma festa...etc.
Espero que a insegurança que passamos em outros episódios não estejam próximas no momento em que São Gonçalo do Amarante recebe um Aeroporto cujo sonho prometeu-lhe fartura e desenvolvimento.
Que o sonho não se transforme em pesadelo e que os órgãos responsáveis pela bastante fiscalização sejam chatos e impertinentes como foi o Comitê Popular da Copa – Natal Copa 2014 com relação às Desapropriações, mesmo que, para isso, tenham que remar contra a maré.
"Navegar é preciso", não resta dúvida, remar contra a maré, todavia, às vezes faz o homem encontrar-se com o seu destino de servidor público.

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