Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O linchamento

O cara desce da favela para bagunçar aqui no centro. E como fede! Fede ele e a patota que circula com ele. Vem aqui só para bagunçar. 
Eu vou dar minha porrada nele. Agora ele chora, mas merece apanhar.  Esse cara merece ser linchado. Filho da puta. Quero ver o sangue correndo.  Chama as crianças para eles verem o que acontece com cabra safado aqui. Tem que saber que não tem perdão. Aqui é na porrada para aprender. E de vez em quando a gente mata um para os outros aprenderem. Tem que matar mesmo. 
Pega ele. Amarra no pau. Quero ver correr agora.  Vai ser bonito ver todo mundo dando nele. Vai apanhar que nem bicho.
Quero ver aquele povo dos direitos humanos aqui! Direitos humanos só para humanos direitos. Bandido tem que apanhar e morrer mijando nas calças com medo!
Isso, tira a roupa dele. Maldade cobrir os olhos. Quero que ele me veja quando eu chutar aquela cara de bandido. 
Vê se pode: o cara desce lá das paradas dele, com essa gang. Vê: só tinha puta e filho da puta com ele. Bandido, ladrão do povo, viado.  Povo vestido que nem mendigo, com cara de craqueiro, fedido e preto.
Esse cara tem de morrer. Bandido safado.
Afinal, só anda com a escória. Olha aquela puta com ele. Não é só uma. E aquele ladrão corrupto que fugiu? Além de tudo é pobre, se veste mal e cheira mal. 
O que o homem está perguntando mesmo? Ah tá. Claro que tem de matar esse safado, bandido filho da puta. Nem pai tem! Mata, mata. Mas deixa ele sofrer o ponquinho mais.

E gritou:
"Crucifica-o!"

Comentários

Postagens mais visitadas