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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Em crise, governo do RN faz contrato de publicidade no valor de R$ 25 milhões por um ano

No sábado passado, após participar do Baile Infantil do Tatu Bola na Pinacoteca do Estado, fomos, em romaria, até o Carnaval multicultural, em Ponta Negra.  Nosso objetivo era curtir o show de Morais Moreira. 
Chamou a atenção a não-presença de policiais.  Vimos até duas viaturas da Guarda Municipal, mas nenhum homem ou veículo da PM.
Na mesma noite, recebi a informação, de uma fonte de dentro da PM, que o contingente destacado pelo governo do Estado para atuar durante o Carnaval era bem menor do que o afirmado oficialmente pela secretaria de segurança.  A recomendação era de que não saíssemos à noite nos dias de Momo.
Esse é o Estado em que somente em fevereiro de 2014 ocorreram 139 crimes violentos letais e intencionais - e outros dados muito ruins de segurança no RN, mostrados pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, já que o governo costuma sonegar as informações.
E as condições da saúde pública, com falta de leitos, etc?  
E o funcionalismo que, pelo menos parte dele, tem tido problemas para receber seus salários?
Mas para a Art&C, Base Propaganda, Criola, Dois A, Faz Propaganda e RAF - e seus sócios e proprietários - a relação com o governo do RN não poderia ser melhor.  Publicado em 28 de fevereiro e com validade até 27 de fevereiro de 2015 foi assinado na sexta-feira passada um contrato para "prestação de serviços de publicidade".  No obsceno valor de R$ 25 milhões.


Pior é imaginar que ainda que mesmo que o valor fosse o dobro não seria capaz de reverter o tamanho da crise de imagem da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).  Mais que isso: tal contrato, no fundo, contribuirá para afundar ainda mais sua imagem e suas chances de sobrevivência política. Afinal, como justificar um contrato de publicidade milionário em um governo que não consegue pagar integralmente sem perrengues a folha do funcionalismo?
Depois de pagar milhões que foram desviados à Associação Marca para administrar o Hospital da Mulher em Mossoró, por exemplo, provavelmente o governo não considera acintoso tal contrato de publicidade.

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