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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

"Vivemos numa sociedade nazista", afirma Yvonne Bezerra de Mello

Na Folha de S. Paulo

A educadora Yvonne Bezerra de Mello preparava-se para dormir quando o porteiro a avisou de que havia um jovem acorrentado a um poste em sua rua.

Ela foi até lá, chamou os bombeiros e, possivelmente, salvou a vida do adolescente. Postou a foto do menor em uma rede social e a partir daí passou a sofrer ameaças e a ser xingada.

Yvonne tem ligação antiga com a defesa dos direitos de menores carentes: em 1993, foi a ela que os sobreviventes da chacina da Candelária procuraram para contar o que havia acontecido.

Folha - A sra. tem sido criticada por ter ajudado o adolescente que foi agredido. A sra. se arrepende?

Yvonne Bezerra de Mello - Foi uma ação humanitária, poderia ter sido feita por qualquer pessoa. Chamei as autoridades e encaminhei o menino, só isso. No dia seguinte, a culpada pelos males do Brasil era eu. Mas de maneira nenhuma me arrependo. Faria tudo de novo.

Que tipo de ameaças recebeu?


Por rede social, email, telefone, tudo. Fui xingada de tudo o que é nome, me acusaram de educar bandido. É um choque saber que vivemos em uma sociedade nazista, fascista.

A sra. pertence à classe alta. Sofre preconceito por trabalhar com crianças carentes?


Sou uma mulher privilegiada. Tenho casa, emprego e tudo o que quero. E por causa do meu trabalho, sim, sofro preconceito. Não nasci rica, fui criada por uma mãe sozinha, sem pai, e sofri na pele por isso.

Incomoda ser chamada de a mulher que ajuda bandidos?

Incomoda pensar que eu moro em um país onde as pessoas que têm educação possam achar isso.

Como soube que o adolescente estava acorrentado?


O porteiro do meu prédio me interfonou quando eu já estava pronta para dormir. Fui imediatamente. Sou chamada várias vezes e não me importa onde é, eu vou. É igual ao médico quando chamado a salvar uma vida. Tem que ir.

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