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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Wilma de Faria e o blefe das pesquisas eleitorais

Por Daniel Menezes
Na Carta Potiguar

Desde o ano passado que neste espaço habita a pergunta: cadê o índice de rejeição das pesquisas veiculadas e que versam sobre a corrida eleitoral no RN em 2014 (O erro de Mineiro que Fátima não pode repetir, http://www.cartapotiguar.com.br/2013/12/29/o-erro-de-mineiro-que-fatima-nao-pode-repetir/)?

A indagação foi reforçada pelo artigo do chefe do gabinete civil da prefeitura do Natal, Sávio Hackradt, recentemente publicado na Tribuna do Norte (E a rejeição, onde se esconde?,http://tribunadonorte.com.br/noticia/e-a-rejeicao-onde-se-esconde/272197).

Ora, ninguém procura por uma informação qualquer. Há quase um ano da eleição, não raro, pouco importa quem está na frente. A história que o diga. Eleições aparentemente fáceis se mostraram apertadas. Candidaturas tidas como competitivas desidrataram na reta final, alias, quando realmente importa.

Mais vale, num momento tão distante da hora do “vamos ver”, procurar o perfil que o eleitor potencialmente procura (dado qualitativo) e aquilo que ele irá recusar (dado quantitativo mais qualificado).

Mas há quem ainda se assuste com sondagens seletivamente publicizadas. A ex-governadora Wilma de Faria sabe muito bem disso. Por isso tratou de abarrotar nos últimos meses a imprensa com (seus) números sinalizadores de um suposto “chamado do povo” – como se existisse, hoje, uma preocupação estadual com a sucessão eleitoral (falácia). Ela estica a corda e joga muito bem com o medo pemedebista de uma disputa majoritária ao governo, principal aspiração do partido dos Alves, para pleitear a vaga de senadora junto aos bacurais.

E a rejeição, o que esconde? Ou melhor, por que é intocada? Ora, porque revela que a guerreira está desbotada, que seu teto é limitado e sua liderança é de vidro. Mais. Revela que não passa de um sofisma imaginar que Wilma, se beneficando da alta rejeição de Rosalba, como o atual prefeito Carlos Eduardo foi hipertrofiado por Micarla, terá vitória garantida em 2014 (Wilma não é Carlos Eduardo e 2012 não será como 2014, http://www.cartapotiguar.com.br/2013/11/12/wilma-nao-e-carlos-eduardo-e-2012-nao-sera-como-2014/).

Mais. A alta rejeição – inflada pelos dados negativos do segundo mandato e o envolvimento em muitos escândalos de corrupção – retirarará da vice-prefeita de Natal a possibilidade de representar o nome que vai “resgatar” o RN do cenário de dificuldade em que se encontra. Tanto que, na reta final da eleição municipal de 2012, Carlos Eduardo, então candidato, teve de camuflar Wilma em sua propaganda. A pessebista tornou a chapa bastante pesada.

É crivel não apostar que será diferente, caso aconteça a aliança do PSB com o PMDB. E, com o contexto pós-manifestações, o ambiente ficará ainda mais adverso, dado que o “político profissional” é tudo que uma significativa parcela da população não deseja, tudo que Henrique Alves e Wilma, juntos, representarão.

Se setores do PMDB perderem o medo – injustificado – de Wilma de Faria, perceberão que Fátima Bezerra (PT), compondo a chapa e competindo pelo senado, tornará a coligação mais palatável, mais leve.

BLEFE

O PMDB engrossa o discurso nos estados em relação aos candidatos do PT em decorrência do pleito recusado na reforma ministerial. Queria o Ministério da Integração Nacional e administrar suas bilionárias obras de transposição e combate à seca.

Este sim é um medo justificado. O PMDB teme que O PT, além dos novos partidos da base contemplados com pastas ministeriais, destruam as pretensões nos estados.

O PMDB, pelo tamanho que representa, está, de fato, sub-representado na coalizão governista. Porém, por enquanto, apesar do crescimento da tensão PMDB-PT, parece só mais um blefe. Fátima Bezerra aproveitou para mostrar que não se intimida. Há possíveis outros parceiros.

O PT-RN PERMANECE NO ERRO

O PT continua não gostando muito de pesquisa eleitoral. Deixa Wilma de Faria vender os números de sondagem que quer sem nenhuma contrapartida. O clima de opinião está se formando. Depois de pouco adiantará reclamar.

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