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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Delegados, policiais civis e militares respondem por crime de tortura no RN

O processo de número 0000137-63.2008.8.20.0003 corre na 11a Vara Criminal de Natal desde 2008.  Entre 2011 e 2013 o processo esteve parado, tendo sido reativado em setembro passado, com o recebimento da denúncia pelo juiz Fábio Wellington Ataíde Alves.
Do que se trata o processo?
A investigação policial demonstrou o "crime de tortura, praticado pelos policiais (...) contra a vítima Judson Silva de Lima, na ocasião em que aqueles o prendiam em flagrante delito, tendo como consequência a perda do baço em virtude das lesões internas provocadas por instrumento contundente".
O juiz recebeu a denúncia contra os delegados Márcio Delgado Varandas, Marcos Antônio de Castro e Otacílio Medeiros Guedes Filho, os policiais militares Dumitrache de Brito Lima, Gilson Correia de Vasconcelos e Saulo Cezar de Araujo, o agente de Polícia Civil Tibério Vinícius Mendes de França.  Todos foram enquadrados pela denúncia do Ministério Público no crime de tortura.
Se considerados culpados os delegados podem ser condenados a penas de um a quatro anos de prisão.  Os PMs e o agente da Polícia Civil podem ser condenados a penas de dois a oito anos de reclusão.
Em 2011, durante a investigação que resultou na Operação Pecado Capital (sobre os esquemas de corrupção no IPEM comandados por Rychardson Macedo e que tinham envolvimento de políticos), o delegado Márcio Varandas substituiu Matias Laurentino no comando da ação. A remoção de Laurentino tinha por objetivo abafar as investigações.
O nome de Varandas também ressurgiu quando a CPI do Tráfico de Pessoas realizou uma audiência em Natal no fim de 2012.  Varandas é o delegado especial que investiga o desaparecimento de cinco crianças no Planalto em 1998.  A Tribuna do Norte informou a irritação da presidente da CPI, senadora Vanessa Graziottin (PCdoB) com o aparente descaso da polícia civil do RN para solucionar o caso:

Já o delegado Márcio Delgado Varandas, atualmente responsável com o Caso Planalto, colocou que por alguns problemas pessoais "relaxou" na investigação dos raptos. De imediato, a presidente da Comissão, Vanessa Grizzotin, colocou que a falta de comprometimento da Polícia Civil levou o caso a se arrastar por todos esses anos. "Se tratam de pessoas humildes. É por isso que se demora tanto a resolver?", questionou. Segundo a senadora, a CPI do Tráfico de Pessoas já solicitou a participação, ao Ministério da Justiça, da Polícia Federal, para a elucidação do caso. Ainda não se sabe se ocorrerá uma parceria com a Polícia Civil do RN.
Para o delgado Márcio Delgado, o comentário da senadora na audiência foi infeliz. "Nossa equipe fez e está fazendo o possível para colher informações. Até trouxemos as famílias do Planalto para assistir a audiência. Não temos nada a esconder, muito pelo contrário, queremos descobrir onde estão as brechas que desencaminharam as investigações em 2001. Eu não cometi prevaricação, talvez isso já tenha ocorrido há mais tempo", colocou à reportagem da TRIBUNA DO NORTE, por telefone, após a audiência.
Delgado afirmou que o delegado geral da Polícia Civil deverá instituir uma comissão interna para dar continuidade ao processo de investigação de maneira mais ostensiva.

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