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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Homofobia e discriminação marcam reações a intervenção artística do I Festival de Cultural da UFERSA


No dia 03 de dezembro de 2013, iniciou-se na Universidade Federal Rural do Semiárido – UFERSA, o I Festival de Cultura, realizado pelo DCE/UFERSA. O Festival, com programação diversificada até o dia 11 de dezembro, visa propiciar um espaço democrático de liberdade de expressão de ideias e cultura, seja das artes plásticas, visuais, música e literatura.
Durante a abertura do evento criou-se um espaço para que os estudantes pudessem interagir, através de uma atividade de muralismo, planejada pelo movimento e pela Pró-reitoria de Extensão e Cultura, durante a qual os estudantes e membros da comunidade acadêmica expressaram livremente suas reflexões, angústias, sentimentos. Ou seja, mural livre para a livre expressão de lutas, reivindicações, visibilidades e arte. Acontece que, se docentes e discentes se manifestaram em intervenções como esta acima, as que representavam expressões de visibilidade do Movimento LGBT e de diversidade sexual causaram muita polêmica. A iniciativa dos estudantes que participaram do festival foi, então, intitulada de “vandalismo”, “pichação”, “sujeira” e “depredação do patrimônio público”. Se as frases pintadas no mural relacionadas à diversidade sexual constituíam-se em uma reação à cultura de preconceito e discriminação velada existente na sociedade e nas Universidades, a resposta homofóbica – via facebook - foi brutal e demonstra o quanto ainda teremos de percorrer para uma sociedade em que as pessoas convivam na diversidade.




Além das manifestações homofóbicas em geral, o discente Jackson Angell foi alvo também de ataques diretos, por ter postado a foto de uma filha de um professor que também pintara o muro durante a atividade, demonstrando como a atividade era aberta e plural, voltada à toda a comunidade acadêmica.



Para Jackson, “essas pessoas não sabem viver na diversidade e não perceberam ainda que estão em uma Universidade, Pública, local onde a diversidade deve não ser apenas tolerada, mas sim, lugar que deve tomar a frente em ações voltadas a democratizar nosso país e a instituir uma cultura de paz”. Ele ressaltou que levará o caso ao Centro de Referência em Direitos Humanos do Semiárido, ao Ministério Público e exigirá a responsabilização dos envolvidos.

Lideranças do movimento estudantil reafirmaram que levarão a cabo na Universidade um amplo debate sobre diversidade sexual e cultura, mas que não abrirão mão de oficializar as denúncias ao Ministério Público e demais instituições.

Comentários

  1. Triste ainda ver cenas absurdas como estas dentro de Universidades.

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