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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Médica que Folha e Globo destacaram acumulava 128 horas semanais

Junice Maria Moreira, que acumulava um total de 128 horas semanais, será discípula de Geraldo Ferreira, que acumula 88 horas semanais?  Ou será o contrário?  Ou apenas é a prática médica no Brasil?
Município a substituiu porque ela não cumpria a carga horária contratada.

Por André Borges Lopes

É difícil saber se essa polêmica do Mais Médicos está fazendo mais estragos na reputação dos médicos ou na dos jornalões brasileiros. Nesta sexta (30), dois jornalões (Folha e O Globo) dão destaque à triste história da Dra. Junice Maria Moreira, médica do programa Saúde da Família, que teria sido demitida para "dar lugar a um cubano" em Murici, interior da Bahia. Para azar dos jornalões, uma repórter seguiu o princípio básico de dar voz ao outro lado. Por André Borges Lopes.

André Borges Lopes (*)


É difícil saber se essa polêmica do Mais Médicos está fazendo mais estragos na reputação dos médicos ou na dos jornalões brasileiros.

Ontem (30) – não por coincidência – dois jornalões (Folha e O Globo) deram destaque à triste história da Dra. Junice Maria Moreira, médica do programa Saúde da Família, que estaria sendo sumariamente demitida para "dar lugar a um cubano" em Murici, povoado da cidade de Sapeaçu, BA. A denúncia foi plantada na imprensa pelo CRM da Bahia.

Os links:
Folha: "Disseram que eu tinha que dar lugar a um cubano"
O Globo: Prefeituras substituem médicos por profissionais do programa do governo.

Muito bem. Aí a gente acessa o serviço CNESNet da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde e pede uma busca pelo nome da doutora Junice Maria Moreira .

Descobre-se que a essa médica tem quatro vínculos empregatícios ativos, dois deles de 40 horas no Programa de Saúde da Família e mais dois de 24 horas cada como médico clínico (tela anexa). Total de 128 horas semanais (improváveis 18 horas e meia por dia, de segunda a segunda). Com um detalhe: os vínculos públicos são com prefeituras de três cidades diferentes (Murici, Queimadas e Jiquiriçá no interior baiano) distantes 357 km entre si, 4h40 de viagem segundo o Google Maps.

Com essa carga de trabalho insana e atendendo em três municípios distantes é de se supor que a Dra. Junice encontrasse dificuldades para cumprir seus horários contatados. Pois foi exatamente isso que constatou a repórter Louise Lobato do jornal Correio ao seguir o princípio básico de dar voz ao outro lado (relegado ao mero registro de um desmentido formal nas matérias da Folha e d'O Globo).

Da matéria da Louise:

"O secretário de Saúde da cidade, Raul Molina, desmentiu as alegações. 'Ela disse que está sendo substituída por um médico estrangeiro, mas isso não é verdade. A demissão aconteceu não para economizar recursos da prefeitura, e sim porque esta médica não está cumprindo o contrato. Ela se recusa a cumprir a carga horária determinada, de 40 horas, e ao invés disto, trabalha somente durante um turno, duas vezes na semana. Ou seja, apenas 12 horas', afirmou. 'Há três meses, nós comunicamos para a cooperativa que ela não estava cumprindo a carga horária, e pedindo a substituição. Contudo, a cooperativa disse que não tinha nenhum outro médico disponível para substituí-la. Por causa disso, demos entrada no pedido para participar do Mais Médicos', relata o secretário Molina."

Bem, se a Dra. Junice é uma amostra do tipo de profissional da saúde pública que está sendo trocado pelos médicos cubanos, continuo achando que o Brasil está fazendo um excelente negócio em trazer los hermanos.

(*) André Borges Lopes é professor universitário e produtor gráfico. Texto publicado originalmente na página do Facebook do autor.

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