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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

NINJA: Precursores, prisão e a morte política do governador

Em 2011, protestos explodiram pelo mundo inteiro, a partir da Primavera Árabe na Tunísia e no Egito. 
Já ali, o recurso à smarthphones e a transmissões via streaming era presente.
Quando os protestos chegaram primeiro à Espanha e, depois, ao OccupyWallStreet nos Estados Unidos, era comum a gente acompanhar as movimentações pelo computador. Coloquei neste blog, na época, o canal Global Revolution, que mostrava transmissões em todo mundo, especialmente nas cidades americanas que haviam aderido ao OccupyWallStreet.
Já se usava o celular, mas os aplicativos da época não eram os melhores para compartilhar o link.  Nada superava a Twitcam ou Twitcast através de um computador acoplado a um sinal 3G.
Não fui o primeiro a usar o computador para transmitir protestos em Natal. O perfil coletivo @XoInseto fazia antes de mim.
Na primeira ameaça de desocupação da Câmara Municipal de Natal, ocupada em junho de 2011, entrei no prédio, liguei o computador ao celular e comecei a transmitir. Boa parte das transmissões na Câmara ocupada foi feita através de meus equipamentos. 
Ano passado voltei às ruas, com computador e celular acoplado, transmitindo os protestos da #RevoltadoBusao.
Ainda em 2011 comecei a ficar com medo de um dia ser preso enquanto fazia a transmissão. Achara que ninguém faria isso diante de uma câmera ao vivo. Até que comecei a ver a polícia pretendo, antes de todo mundo, os manifestantes com streaming nas ruas de Nova Iorque.  Por isso, o medo.
Nunca fui preso.
Foi na época do OccupyWallStreet que ouvi falar do Bruno Torturra. Torturra ficou alguns dias no acampamento do Parque Zuckot.
Foi dele a idéia, implementada pela Casa Fora do Eixo, da mídia NINJA - que representa a sigla Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação).  A grande mudança: a minituarização. Não é mais necessário levar o computador a um protesto. Basta o celular - agora o aplicativo apresenta melhor qualidade.
NINJA é um nome que gruda na idéia e representa isso mesmo: uma idéia.
Hoje à noite a PM do Rio prendeu dois NINJAs no protesto em torno do Palácio Guanabara, na recepção ao Papa Francisco.
Cada dia mais me vejo imerso na distopia orwelliana.  Além da repressão à mídia independente, o episódio revelou uma polícia militar que se manifestava via Twitter tal qual os representantes do Partido do romance "1984". A PM tuitou que a manifestação não podia ser democrática se impedia o trabalho da imprensa (ao mostrar foto de um carro da Rede Globo depredado), mas afirmou que os repórteres da Mídia NINJA haviam sido presos por incentivar o vandalismo.
Mostrou fotos e nomes completos dos repórteres presos, para logo em seguida reclamar do fato de o perfil da Mídia NINJA ter publicado dados do Tenente Puga, que prendeu um dos NINJAs.  Duplipensar.
A noite de hoje representou, a meu ver, a morte política de Sergio Cabral.  E quem matou foi a sua PM - também quando disparou com, supostamente, munição letal contra manifestantes, como o jovem ferido na perna.

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