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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Uma análise do Ensino Religioso a partir dos 40 anos no RN

Por Raphael Lima

Foi comemorado no dia 03/06/2013, os 40 anos de início de ensino religioso nas escolas públicas do estado do Rio Grande do Norte. A cerimônia de reconhecimento de diversos envolvidos na questão religiosa foi realizada pela Secretaria Estadual de Educação (SEEC).

O ensino religioso fundamenta-se na investigação do fenômeno religioso valorizando o pluralismo e a diversidade cultural presente na sociedade brasileira, facilita a compreensão das formas que exprimem o transcendente na superação da finitude humana e que determinam, subjacentemente, o processo histórico da humanidade.

A existência da disciplina “Ensino Religioso” no currículo da escola fundamental brasileira pode parecer um contrassenso, quando se considera que o Brasil é um Estado laico. A própria definição do que seja um Estado laico é mal compreendida, quando se confunde laicidade e ateísmo. Muitas pessoas ainda confundem Estado Laico com Estado sem religião ou contra a religião. É a separação entre fé (domínio privado) e instituição (Igreja = instituição de domínio público).

É interessante observar que, constantemente, nas discussões, há uma contraposição entre os “a favor” e os “contra” a religião, à interferência do religioso no Estado, a “tirar ou colocar” Deus na vida pública. Poucos se preocupam em discutir a possibilidade de não se ter ou não se acreditar em uma religião sem, no entanto, combatê-la. É o caso do agnóstico.

É princípio que deverá garantir que o Ensino Religioso ministrado nas escolas públicas não se detenha na formação religiosa específica para uma ou outra religião; que o Ensino Religioso seja feito sem proselitismo e que as práticas (usos e costumes) de cada religião sejam apresentadas, descritos, de forma objetiva e com igual destaque, por professores habilitados nesta área do conhecimento. Assim como as convicções religiosas devem ser respeitadas, também a ausência delas merece igual consideração.

O que deve ser considerado não é a ausência ou não da fé, mas a importância que as diversas religiões têm para a formação da própria sociedade brasileira e mundial, nos seus aspectos históricos, sociológicos, políticos, etc. A neutralidade do serviço público é a garantia do respeito às convicções de todos os usuários dos serviços; é a única forma de permitir o amplo respeito a todas as religiões. Ao dar o mesmo espaço no ambiente escolar ao conhecimento de cada religião, ensina o princípio da tolerância e o exercita

Diversas pessoas repudiam o ensino religioso na escola. Trata-se na verdade de um repúdio ao ensino religioso confessional, proselitista, que privilegia uma ou outra religião em detrimento das demais.

O Estado não deve reconhecer nem ignorar nenhuma religião, seja elas professadas no seu território ou não. Não é o fato da presença de uma crença ou convicção religiosa no país que dispensa a escola de discutir sobre a mesma ou incluí-la na formação dos alunos.

Garantir a liberdade religiosa permite, mesmo que indiretamente, a proteção dos cultos minoritários contra a discriminação; já que a ideia de laicidade traz consigo a afirmação dos direitos de expressão de cada religião e da expressão dos não-adeptos de uma crença religiosa; ao mesmo tempo em que interdita a todos o direito de apropriar-se do Estado e do espaço público como bem lhes aprouver.

A educação para a tolerância deve ser considerada como imperativo prioritário; por isso é necessário promover métodos sistemáticos e racionais de ensino da tolerância centrados nas fontes culturais, sociais, econômicas, políticas e religiosas da intolerância, que expressam as causas profundas da violência e da exclusão.

Na a atual realidade do Ensino Religioso no RN, é preciso saber o que celebrar? 1- os avanços foram poucos, mas significativos. Mas não podemos nos acostumar com migalhas. Ainda existem muitos professores de áreas afins ocupado as aulas para complementação de carga horária, e abusando do proselitismo (e são maioria). 2- a desvalorização, e desinformação sobre a disciplina, que em muitos casos começa na própria SEEC. 3- Precisamos dar uma reformulada nos cadernos pedagógicos, que está muito aquém das grandes produções na área, exemplo, os cadernos de Curitiba. 4- Natal precisa construir o seu caderno pedagógico, e um plano de atuação para o ER. 5- É necessária a parceria com o curso de ciências da religião-UERN, para desenvolver um trabalho de conscientização do ER. Tipo: seminários, oficinas e uma revista eletrônica para divulgação de trabalhos dos docentes atuantes na área. 6- É necessário abrir a caixa preta do ER, o artigo 210 da constituição brasileira. 7- Os docentes que estão atuando em sala de aula, devem ser os protagonistas desse processo, pois os mesmo estão vivenciando a realidade do ER na prática.

Sem se debater esses, e os demais fatores, a disciplina estará fadada a extinção.

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