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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#CopaPraQuem: Meninos, eu vi o protesto em Fortaleza

Apesar dos artigos que eu precisava escrever e das aulas que precisava preparar, hoje resolvi ir à manifestação #CopaPraQuem em Fortaleza, mais como observador que como manifestante.
Enquanto pude, seja pelo sinal do 3G seja pela carga do celular, transmiti a marcha que se reuniu na Av. Dedé Brasil, em frente ao campus da UECE no Itaperi, e seguiu até as proximidades do Castelão.
No local em que o conflito começou, não tinha sinal do 3G.  Voaram sobre nossas cabeças muitas bombas de gás lacrimogênio.  O efeito é desorientador, mas a solidariedade de todos em redor, partilhando vinagre e alternativas de caminho para quem quisesse se afastar.
Os relatos foram chegando.
Havia, mais uma vez, um grupo violento à frente da manifestação, com pedras, rojões e outros instrumentos que pretendiam usar no conflito contra a PM.  Segundo pessoas que chegaram à frente do protesto informaram, muitos estavam com pedras e as atiravam contra a PM.
E hoje a PM não estava só. Voavam também sobre nós diversos helicópteros, da PM, da PRF e três do Exército.  Havia até um canhão sonoro junto à tropa da Força Nacional de Segurança.
Na hora que os helicópteros nos circulavam com rasante o grupo que estava comigo se assustou. E as bombas continuavam caindo na parte da frente da manifestação.
Torcedores tentavam se aproximar do estádio pela Dedé Brasil.  Muitos deram meia volta.  Adiante, uma barricada com pneus em chamas foi armada.  Depredaram carros e pelo menos um ônibus.
Destaque-se a forte presença de partidos e movimentos sociais - sem gritos de "sem partido" ou de "sem bandeira".  Alguns militantes tentaram dissuadir o grupo violento.
Não estava perto suficiente para saber quem começou a disparar.  Mas a PM disparou bombas indiscrimidamente, independente do fato de que a maior parte dos manifestantes não fazia qualquer menção de avançar contra a barreira policial.
De longe, víamos o Choque e a Cavalaria atuando contra os manifestantes.
O vereador João Alfredo, do PSOL, nos disse que uma das bombas explodiu aos seus pés.  "O efeito do gás é imediato", disse.
Duas certezas me invadiram quando sai de lá.
A PM é truculenta e antidemocrática.  Ela dispara para dispersar uma manifestação, mesmo que a maior parte dela se comporte de maneira democrática.  Indiscriminadamente.
A outra certeza é que continuam os grupos violentos, fora dos partidos e movimentos, que visam desestabilizar e gerar confronto, usando as manifestação como batedores para chegar diante da Polícia.
São essas duas certezas que me assustam.

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