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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Na Folha: Ação popular contra irregularidades nas obras do aeroporto de São Gonçalo

Na Folha de São Paulo

O aeroporto São Gonçalo do Amarante, na grande Natal (RN), pode ter a obra embargada caso a Justiça Federal acate um pedido de liminar de uma ação popular que questiona, entre outras questões, o processo de desapropriação do terreno e a falta de compensação pelos danos ambientais da obra.

"Não somos contra o aeroporto mas somos contra esse projeto de arremedo de aeroporto", diz o sociólogo potiguar Paulo Araujo, consultor em planejamento sócio-ambiental e autor da ação popular.

Araujo foi declarado "persona non grata" por políticos locais desde que ingressou com a ação na Justiça Federal no Rio Grande do Norte na semana passada. A obra está sob responsabilidade do consórcio argentino brasileiro Inframerica, que venceu a concessão para construir e administrar o aeroporto até 2038.

Depois de atrasos no licenciamento ambiental, as obras, que custarão R$ 450 milhões, financiados, em sua maior parte, pelo BNDES, tiveram início em março. O concessionário promete entregar o aeroporto em março de 2014, em tempo para a Copa do Mundo.

Localizado a cerca de 40 quilômetros do centro de Natal, o aeroporto vai substituir o Aeroporto Internacional Augusto Severo, que fica em Parnamirim, a 18 quilômetros de Natal.
A estrada que vai ligar Natal ao novo aeroporto ainda nem foi licitada. Hoje o percurso é feito em uma pista de duas mãos com uma faixa no meio até o quilômetro. O resto é estrada de terra.

Desapropriações


O projeto de construção do novo aeroporto tem mais de 15 anos, quando tiveram início as desapropriações de terreno. Mais de 70% da área desapropriada ainda não foi indenizada por divergências de valores.

O governo ofereceu inicialmente 10 centavos pelo metro quadrado, segundo o advogado Igor Santos Steinbach, que representa Araujo na ação popular.
Steinbach argumenta que a ordem de desapropriação está baseada em uma liminar obtida pela Infraero e pelo governo estadual, mas que esse direito não se estende ao concessionário.
"Não foi feito nenhum convênio para transferir a liminar para o concessionário, que deverá arcar com as indenizações", diz o advogado.

Compensação ambiental


O licenciamento ambiental da obra também foi feito em nome da Infraero, que não tem mais relação com o aeroporto. "A legislação determina que seja feita uma compensação equivalente a 0,5% do investimento no caso de projetos de significativo impacto ambiental", diz Araujo.

Segundo ele, o aeroporto está sendo construído em uma área antes ocupada por Mata Atlântica nativa.

O projeto original da Infraero para São Gonçalo do Amarante previa uma obra com capacidade para 40 milhões de passageiros --o aeroporto de Guarulhos opera com 32 milhões de passageiros/ano--, com a promessa de tornar o aeroporto um grande centro de distribuição de mercadorias para Ásia, Europa e Estados Unidos.

Mas apesar de políticos locais ainda se referirem à obra com a mesma grandiloquência do projeto original, o projeto concedido à iniciativa privada no primeiro leilão de privatização do setor prevê uma capacidade de 6,2 milhões de passageiros/ano na primeira fase. A partir de 2024, a capacidade deverá ser ampliada para 11 milhões de passageiros/ano.

A ação popular tem como alvo a União, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Engevix, empresa brasileira que integra o consórcio Inframerica.
Procurado, o consórcio Inframerica disse que não foi notificado. "Após ser notificado, o consórcio tomará as medidas judiciais cabíveis", disse o grupo em nota.

A Inframerica diz ainda que as obras estão acontecendo em três turnos, com 1.180 funcionários.

Já a obra da estrada que ligará o aeroporto ao centro de Natal está prevista para maio de 2014. A ordem de serviço foi assinada pela governadora Rosalba Ciarlini no início de abril. A obra consiste em 33,27 quilômetros de pista dupla e vai custar R$ 73 milhões, financiados pela Caixa Econômica Federal.

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