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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A vinda dos médicos estrangeiros, a necessidade de revalidação e as falácias dos Conselhos de Medicina

Publicado originalmente no No Minuto

Em 08 de maio, a revista CartaCapital publicou, como as demais revistas semanais, a discussão da vinda dos médicos estrangeiros para suprir uma carência que supera os 50 mil profissionais no país.

No texto do dia 08, o repórter Marcelo Pellegrini já dizia que o "ministro destacou que o governo já descartou a validação automática de diplomas e a contratação de médicos de países que tenham menos profissionais que o Brasil, como é o caso da Bolívia e do Paraguai".

Encontramos também no site do Ministério da Saúde uma nota oficial sobre o assunto. A nota é do dia 21 de maio e nela o governo afirma peremptoriamente que:

Embora não exista definição sobre que modelo será adotado pelo Brasil, algumas possibilidades estão descartadas:- A contratação de médicos de países cujo índice de profissionais é menor que o do Brasil;- A validação automática de diplomas;- Só serão atraídos profissionais formados em instituições de ensino autorizadas e reconhecidas por seus países de origem.
Ainda assim, hoje, 25 de maio, estudantes de medicina, mobilizados pelos Conselhos Federal e Regionais de Medicina, foram às ruas com panfletagem e protestos. Neles, informavam ao público que o governo pretende trazer médicos estrangeiros para atuar no país sem que os tais passem pelo exame de revalidação do diploma. Assim como a imprensa reforça esse discurso, ideologizando e politizando indevidamente, em nome do corporativismo médico, a questão.

No panfleto distribuído, os futuros médicos afirmam que o governo demonstra pouco cuidado com a saúde pública com a iniciativa.

Como assim, meus caros?

Há um déficit de mais de 50 mil médicos no país.

Os médicos, através das suas cooperativas, subjugam o SUS. Recusam-se a fazer concurso público. Não vão trabalhar nos confins do país, para onde vão ser levados os médicos estrangeiros, mesmo com salários de oito ou dez mil reais por mês.

E ainda assim, segundo os conselhos, é o governo quem põe em risco a saúde pública do país com a medida de trazer médicos estrangeiros.


Tuitei essa questão mais cedo. Em resposta, uma médica natalense informou que os médicos não fazem concurso porque são aprovados em um concurso e fazem contratos de gaveta com o poder público para reforço salarial. E tais contratos terminam sendo descumpridos.

Quando afirmei que tal prática é, na verdade, uma forma confessada de corrupção, ela disse que ia me bloquear.

E ainda assim, segundo os conselhos, é o governo quem põe em risco a saúde pública do país com a medida de trazer médicos estrangeiros.

Comentários

  1. Boa leitura da situação meu amigo. Como base, pegue os enfermeiros, cuja presença e assistência é tão importante quanto a de um médico (se conhecerem um bom enfermeiro atuando verão o quanto ele conhece sobre o processo saúde-doença), ganham ás vezes, 5 ou até mais vezes menos, mas, assumem seus postos de trabalho, estão presentes, não têm o valor de seu trabalho na maioria das vezes reconhecido, e continua firme, tentando fazer do SUS um sistema de saúde cada vez melhor (pelo menos a maioria dos que conheço em Brasília). Realmente os médicos usam dos artífices, como apresentado pela médica de Natal, e ainda ficam boicotando o SUS. Que tragam novos médicos. Que se formem médicos brasileiros com uma mentalidade nova, voltada para o cumprimento do juramento onde a vida está acima do lucro. E cuidemos para que não venham destruir o SUS para que os planos de saúde ganhem o mercado, como fizeram nos Estados Unidos décadas atrás.

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