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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Filho de Rubens Paiva quer que governo de SP peça desculpas por assessor

Na Folha de São Paulo

O escritor Marcelo Rubens Paiva, 53, disse nesta quarta-feira (3) que espera um pedido de desculpas do governo de São Paulo pela participação do assessor Ricardo Salles em evento que marcou, na última segunda-feira (1º), a publicação na internet de documentos do extinto Dops, um dos órgãos da repressão durante a ditadura militar (1964-1985).

Nomeado como secretário particular do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Salles é um dos fundadores do movimento "Endireita Brasil" e já criticou publicamente os militantes que lutaram contra a ditadura no país.

Marcelo criticou em seu blog pessoal uma frase atribuída a Salles, em que o assessor teria dito: "Não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram".
Niels Andreas/Folhapress

Ricardo Salles, assessor de Alckmin, em frente a um cartaz do movimento do qual participa


Filho do deputado federal cassado pela ditadura Rubens Paiva, Marcelo tinha 11 anos quando viu agentes da Aeronáutica invadirem sua casa, em 1971, e levarem seu pai para depor no extinto DOI-Codi, no Rio de Janeiro. Desde então, Paiva nunca mais foi visto por seus familiares.

"Está uma palhaçada a reação da direita em relação à forma como eles defendem a ditadura. A minha família se sente completamente ultrajada", disse à Folha o escritor.

Marcelo também criticou o fato de o governo manter o assessor em seu quadro de funcionários.

"Eu quero que o Alckmin me peça desculpas, pela história do partido que ele representa, um partido que foi fundado por pessoas que foram perseguidas pela ditadura", disse, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-governador José Serra.

"Ele [Alckmin] é o governador do Estado de São Paulo, não pode ser aliado a esse grupo bizarro", acrescentou.

Salles já publicou em seu blog textos e vídeos em que acusa o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma revanche contra militares após levar "terroristas" ao "poder".

Em um dos vídeos, publicado em 2010, diz: "Esses que estão no poder, que no passado assaltaram, sequestraram, mataram pessoas na tentativa de instaurar uma ditadura de esquerda, querem o revanchismo."

"Não podemos permitir que essas pessoas tentem fraudar a história [...] para premiar os terroristas de ontem que hoje estão no poder", diz em outro trecho do vídeo.

Pelo Twitter, Alckmin falou sobre a questão. "Comecei na política lutando contra a ditadura, período triste da nossa história e que não devemos esquecer."

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