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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Embusteiros e covardes

No Blog do Juca Kfouri



Está nas primeiras páginas pelo mundo afora.

João Havelange renunciou também ao posto de presidente da honra da Fifa para não ser dela expulso.

Já havia renunciado ao COI pelo mesmo motivo, por saber que seria, como acaba de ser, denunciado, ao lado do ex-genro Ricardo Teixeira, de receber 45 milhões de reais em propinas da falida ISL, a gigante de marketing esportivo que negociava direitos de TV.

Havelange é um dos brasileiros mais conhecidos de nossa história e sempre foi o chefão, coisa que só alguns poucos denunciaram por não ter interesses menores.

Chegou a ser objeto de três o quatro biografias de dar engulhos pela bajulação, em regra feita por autores de sua laia.

Agora está aí, ainda dando nome aos estádios do Engenhão, no Rio, e do Parque do Sabiá, em Minas.

Até quando não se sabe, mas, se perdurar, até mesmo nos Jogos Olímpicos do Rio que o tem como membro de seu comitê (AQUI) dirigido por outro discípulo, Carlos Nuzman. será o caso de começarmos a dar os nomes de PC Farias, Escadinha, Mensalão, aos nossos logradouros públicos.

Em resumo, Havelange e Teixeira, agora ainda mais assumidamente, são dois embustes e maiores exemplos da nossa cartolagem, além de covardes, por fugir sem assumir o que fizeram.

Havelange teve um mérito, o de não processar os poucos jornalistas que o acusaram.

Porque, segundo sempre disse, não queria ter inimigos para o resto da vida em seu pé.

A explicação é besteira, é claro, mas, na verdade, ele não processava porque, apesar de dissimulado e hipócrita, sabia que as acusações eram verdadeiras e preferia não mexer nelas, diferentemente do ex-genro que se julgava eternamente impune.

Alguém dirá, generosa, ou maliciosamente, você escolhe, que Joana Havelange não tem nada a ver com isso, embora ela seja do COL e estivesse festejando na Califórnia enquanto o capo dei capi renunciava à sorrelfa e à socapa.

Sim, Havelange renunciou dias atrás informou a Fifa, clandestinamente, em segredo, como quase tudo de errado que fez na vida.

Desta vez, acertou.

Já vai tarde.

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