Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

AI-5 de Rosalba: Cição e as carcaças que precisam ser mostradas


Por Marcos Dionísio Medeiros Caldas
Presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos
No Blog do Ivênio Hermes


Vocês lembram que em Dezembro de 2011, o Governo do RN editou um decreto que proibia a realização de atos no âmbito do Centro Administrativo? A OAB e militantes sociais, usando as redes sociais, conseguiram pressionar e a Governadora Rosalba Ciarlini revogou o decreto, chamado, coerentemente, de AI-5 de Rosalba. Após a revogação, a própria governadora explicou que, apesar da revogação, não discordava do seu conteúdo.

Pois bem, no terceiro ano de seu governo, qualquer protesto que adquira certa presença de rua é tratado como caso de polícia. Foi assim no Fora Micarla; no ato do Fórum em Defesa da Saúde onde uma grávida advogada foi agredida; na Revolta do Busão e até o Baiacú entrou na vara, figurativa e literalmente, acabando o pacífico Carnaval da Redinha. Sem falar nos processos contra o Presidente do Conselho de Medicina, Dr. Jeancarlo Cavalcante no episódio do Fio de Aço.

Em Caicó, agricultores e pecuaristas, organizaram um singelo ato contra a indiferença dos órgãos estatais quanto a terrível situação provocada por mais uma seca. Um carro de som, indignação, “informações desencontradas”sobre umas sacas de milho e umas carcaças de animais, foram o bastante para Cição, ser conduzido algemado e num camburão até à Delegacia, onde posteriormente foi liberado.

O PM que conduziu Cição, afirmou que ele não havia sido preso. Então foi uma prisão para averiguação? E isso existe ainda na vigência da Carta Magna da Primavera de 1988?

Como podemos observar, o direito a manifestação é livre no RN, desde que não incomode aos coronéis do poder. O Estado continua a ser bem forte frente aos fracos e, pusilânime frente aos fortes, como nos dizia Octavio Paz.

Atos semelhantes foram realizados na Paraíba sem maiores consequências ou conflitos. Mas a estupidez de quem é caudatário do arbítrio e da violência, é que com a repressão negada, deu divulgação ao ato e o transformou num emblema de como a seca é tratada por nossas autoridades que continuam reféns daquela que, nos anos sessenta, foi chamada por Antônio Callado, da Indústria da Seca no seu magistral “Os Industriais da Seca e os Galileus de Pernambuco”.

Passadas quatro décadas do lançamento da citada obra, a Indústria nunca esteve tão forte como continua a manipular o destino de milhões de nordestinos, reservando-se para si, inclusive, também o papel de salvador da pátria.

O grito de Cição e de seus companheiros de manifestação e o ato que o movimentos sociais estão organizando tenderão a ganhar corações e mentes país afora, pois já é chegada a hora do Brasil usar a tecnologia de que já dispõe para salvar o Nordeste da inclemente seca.

O Governo do RN que também condena nosso homem do campo a perder metade dos seus animais e não permite que se ouça seu grito, não conseguirá calar os potiguares. A terra de Poti saberá despertar dos pesadelos administrativos e descortinar dias melhores para compartilhar suas riquezas.

Está na hora do governo começar a governar e também descobrir que numa Democracia o exercício do poder há que ser dentro da legalidade e do equilíbrio. Ao invés de colocar a polícia no encalço dos movimentos sociais, bem poderia assuntar se não há um tiquinho de descompasso entre o maravilhoso mundo mostrado pela propaganda governamental do Governo do RN e a vida dura de seus concidadãos.

A imagem da vaca bebendo urina do bezerro que mamava, a humilhação tentada contra Cição e as fotos de presos algemados a barras de ferro mostram a falência múltipla das políticas públicas no RN. E olhem que nem falei das mortes matadas e nem das mortes morridas nos hospitais. Tampouco falei de execuções e também das mortes de Policiais.

RIO GRANDE DE MORTE, sem sorte e sem NORTE.

O AI-5 de Rosalba vive sua plena eficácia e já é hora do potiguar fazer como Cição e começar jogar suas carcaças nas ruas…

Comentários

Postagens mais visitadas