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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#VivaChavez: Gira mondo, gira!

Por Flavio Gomes
http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/03/gira-mondo-gira-42/


Hugo Chávez foi um libertador. É um dos heróis desta América Latina violentada por séculos que encontrou, ao longo dos anos, pouca gente de coragem para enfrentar o que de pior a espécie humana produziu. Do seu jeito, porque na Venezuela não havia outro jeito, peitou as mais odiosas elites econômicas e políticas de seu país e do vizinho ao norte, e ganhou.

Ganhou no voto, ao contrário do que os obtusos guiados pela imprensa de sempre, cada vez menos relevante, imaginam. Tentaram tirá-lo do poder à força, mas o povo venezuelano o conduziu de volta a Miraflores. Chamam-no de ditador. Um ditador que nunca teve medo de uma eleição. Que não deu um passo fora da Constituição de seu país. Que não partiu para a vendetta contra aqueles que chegaram, até, a defender seu assassinato em horário nobre de TV. Esses se retiraram do jogo democrático, covardes que são. E fugiram para a Flórida.

O comandante morre cedo, mas deixa uma herança política eterna, que se espalhou por sua querida América do Sul. Brasil, Bolívia, Equador e Uruguai, principalmente, ao seu modo, seguem os passos do bolivariano no sentido de defender sua autonomia e de se preocupar com os pobres, gerações de pobres estupradas por uma minoria abjeta que sempre deteve, e na maioria dos casos ainda detém, o poder econômico e político no continente. Amar os pobres é algo que não entra na cabeça de uma parcela da sociedade.

Sua morte será comemorada em Miami, nas redações da “Veja” e dos jornalões e em alguns outros círculos desprezíveis formados por gente desprezível.

As ruas da Venezuela, porém, vão mostrar quem foi Chávez e o que ele representou. E, aí, aqueles que festejam sua morte e se preparam para tomar o país de volta perceberão que já não é mais possível.

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