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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Indicação de Pastor Feliciano para comissão é "escárnio", diz deputada

No UOL

O PT e o PSOL definiram que votarão contra a indicação do deputado e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. A votação está marcada para esta quarta-feira (6), às 10 horas.

A bancada do Partido Social Cristão, composta por 17 parlamentares, confirmou ontem o nome do pastor para ocupar o cargo. Como vice, a indicação é para a deputada Antonia Lúcia (PCS-AC).

"Essa indicação é um misto de escárnio e afronta aos 18 anos de trabalho da comissão, à luta em defesa dos direitos humanos, ao parlamento e aopPaís, pois a postura do deputado é discriminatória, racista e atenta contra o Estado laico", afirmou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Segundo a petista, a posição do partido é votar contra a indicação e, em caso de derrota na comissão, haverá uma discussão com entidades e pessoas ligadas aos direitos humanos – dentro e fora da Câmara – sobre que posição será adotada.

Sobre a responsabilidade do PT no processo a partir da saída da sigla da presidência da comissão, a deputada defendeu o partido, dizendo que "a responsabilidade pela indicação é do PSC". Segundo ela, o PT optou pela Comissão de Seguridade Social e Família (além dessa, o partido já tinha escolhido as comissões de Constituição e Justiça de Relações Exteriores e Defesa Nacional), pois é por onde passa a análise de mérito sobre questões relacionadas a novos arranjos familiares e saúde, dentre outros temas importantes para a sociedade.

A Comissão de Direitos Humanos era presidida pelo deputado petista Domingos Dutra (MA).

PSOL

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) também afirmou que votará contra a indicação do Pastor Feliciano, que "não tem identidade com a pauta dos direitos humanos". Ele voltou a afirmar que não se trata de uma posição dos movimentos LGBT e de outras minorias. "A indicação é contestada inclusive por cristãos, a exemplo da campanha do Movimento Cristão Rede Fala", afirmou Wyllys.

Segundo o parlamentar, caso Pastor Feliciano seja confirmado no cargo de presidente, o PSOL vai se retirar da comissão. "Assim como Renan Calheiros chegou à presidência do Senado contra a vontade de milhares de pessoas que assinaram uma petição pública, o deputado Feliciano chega à Comissão de Direitos Humanos. Os acordos estão prevalecendo sobre a vontade do povo."

Mais cedo, o Pastor Feliciano falou, em entrevista coletiva, que esperava que o deputado do PSOL não saísse da CDHM, mas que "construísse uma agenda conjunta". "Se fugir da raia, vai ficar feio pra ele", afirmou referindo-se a Jean Wyllys.

O deputado do PSOL respondeu: "Não podemos construir uma agenda com um deputado que vai contra a minha própria existência como homossexual. E essa não é uma disputa pessoal, não é fugir da raia; não vamos servir de trampolim para um discurso conservador, que vai contra as proposições legislativas que visam garantir direitos de minorias".


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