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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Dossiê de delator de Gabriel Chalita tem fotos, e-mails e notas fiscais

No Estadão

O CD que o delator do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) entregou ao Ministério Público de São Paulo contém informações que podem comprovar improbidade administrativa, corrupção e fraudes em processos de licitação na Secretaria de Estado da Educação entre 2003 e 2007 – período em que Chalita exerceu o cargo de chefe da pasta.
E-mails tratam da aquisição de máquinas fotográficas e até de equipamentos de escuta embutidos - Reprodução
Reprodução
E-mails tratam da aquisição de máquinas fotográficas e até de equipamentos de escuta embutidos


A avaliação sobre a contundência do arquivo é de promotores de Justiça que investigam as denúncias do analista de sistemas Roberto Grobman, acusador do deputado. Mas os promotores pretendem, ainda, submeter todo o arquivo a uma perícia para atestar a veracidade dos documentos.

O CD traz uma longa sucessão de e-mails entre Grobman e outros personagens citados no caso, como o ex-secretário-adjunto de Educação e atual prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PMDB). Os dois trocaram correspondências em novembro de 2003, por exemplo, tratando da aquisição demáquinas fotográficas e até deequipamentos de escuta embutidos em gravatas, kit que seria destinado a Chalita.

Grobman entregou ao Ministério Público um conjunto de 41 fotografias que exibem a reforma em uma cobertura espaçosa, com uma grande piscina coberta e churrasqueira. Ele afirma que esse é o imóvel que em que mora Chalita, no bairro de Higienópolis, na capital paulista, e que as despesas da obra foram pagas pelo grupo COC - que firmou contratos com a Secretaria de Educação na mesma época.

E-mails registrados pelo delator expõem diálogos entre Milton Leme, então diretor da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), do governo de São Paulo, e empresários do grupo COC.

Eles trocam informações sobre licitações que seriam feitas pela Secretaria de Educação e que atenderiam aos interesses da empresa. Segundo as mensagens que Grobman apresentou, Leme chegou a enviar para o grupo COC a minuta do edital que ainda não havia sido publicado.

O material de Grobman contém propostas e notas fiscais que, de acordo com ele, comprovam que o grupo COC pagou pela reforma do apartamento de Chalita. Há recibos no valor de R$ 93 mil e de R$ 18 mil fornecidos pela empresa Foneplan para instalação de um equipamento de home theater no endereço que seria de Chalita, com data de 17 de novembro de 2004.

Grobman também apresentou e-mails com um diálogo que provaria o pagamento de US$ 79 mil no exterior para um serviço de automação do apartamento de Chalita.

Em janeiro de 2005, a empresa Valverde, suposta responsável pelo trabalho, envia a Grobman os dados de uma conta do Bank of America, nos Estados Unidos. Dois meses depois, Grobman diz a Chaim Zaher, então dono do grupo COC, que a empresa “está ligando sem parar para cobrar o $ da obra”. Zaher ordena, então, que um de seus funcionários faça a transferência. “Favor pagar isso urgente”, escreve.

O deputado Gabriel Chlita rechaça com veemência as suspeitas lançadas por seu acusador. Ele desafia Grobman a apresentar provas do que alega ao Ministério Público.

Em nota, o Grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro), antigo controlador do COC, se diz “vitima de seu antigo colaborador Roberto Grobman, que sistematicamente o ameaça, desde que foram rompidos laços de prestação de serviços com ele, como atesta boletim de ocorrência registrado em 5 de fevereiro desde ano”.

“O Grupo SEB já prestou todos os esclarecimentos sobre o assunto ao Ministério Publico do Estado de São Paulo e é o maior interessado em que seja restabelecida a verdade dos fatos”, diz a nota.

Para o Grupo SEB, o delator de Chalita “nitidamente age pautado por sentimentos de vingança pessoal e interesses escusos”.

"O Grupo, que foi proprietário da Editora COC, nunca vendeu, prestou serviços ou firmou contratos com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, nem antes, nem durante a gestão de Gabriel Chalita. No período de 2003 a 2007, uma empresa parceiras do grupo (a Interactive) realizou vendas à FDE em valor insignificante frente ao faturamento do grupo: foram R$ 2,5 milhões em softwares educacionais. Neste mesmo período, o faturamento do grupo SEB foi de R$ 2,2 bilhões”, diz a nota, assinada por Nilson Curti, diretor superintendente do Grupo SEB.

O prefeito de Santos, por meio de sua assessoria, afirma que tem “ficha limpa” e que jamais foi investigado por improbidade ou irregularidades na administração.

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