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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Yoani Sánchez e Bradley Manning

Por Altamiro Borges

A visita ao Brasil de Yoani Sánchez tem gerado grande excitação na mídia. Ela não é tratada como uma mera blogueira, mas sim como a principal dissidente de Cuba na atualidade. As corporações midiáticas, que nunca toleraram a revolução cubana – e, inclusive, usaram o perigo do seu espectro para defender o golpe militar de 1964 –, apresentam a blogueira como heroína das liberdades democráticas. O interessante é que a mesma mídia nada fala sobre Bradley Manning, o jovem soldado preso nos EUA desde maio de 2010.

Bradley Manning foi acusado, sem provas, de vazar mais de 150 mil documentos da diplomacia ianque para o WikiLeaks. Na época, ele era analista de inteligência no batalhão de suporte da 2ª Brigada da 10ª Divisão da Estação de Operação de Contingência no Iraque. O motivo apresentado para sua prisão foi um vídeo divulgado pelo WikiLeaks sobre um criminoso ataque de helicópteros dos EUA a civis inocentes em Bagdá, em julho de 2007. O filme teve ampla repercussão na internet e colocou o império na defensiva.

As condições da prisão do jovem soldado estadunidense, na base militar de Quantico, na Virgínia, ferem todos os princípios dos direitos humanos. Ele ficou quase um ano na solitária. “Eu estava certo que ia morrer naquela cela animalesca”, afirmou numa entrevista. A pressão interna e externa garantiu a sua sobrevida. Ele também sofreu bárbaras torturas psicológicas. No final do ano passado, os eleitores do jornal britânico The Guardian elegeram Manning como a personalidade do ano na defesa da liberdade de expressão.

Apesar destas atrocidades, a mídia colonizada evita dar destaque a este caso dramático. Não há qualquer campanha midiática pela libertação de Bradley Manning. Por razões óbvias, a imprensa seletiva prefere tratar como heroína a dissidente cubana Yoani Sánchez, que também é diretora da golpista Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) e “colaboradora especial” do Instituto Millenium, o antro dos barões da mídia nativa. E ainda tem gente que acha que a luta de classes acabou e que a “guerra fria” não existe mais!

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