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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Petrobras e suposta cooperativa contratada são condenadas a pagar multa de R$ 1 milhão

A Petrobras e a Cooperativa Nacional de Transporte Terrestre- COOMA- foram condenadas, cada uma, ao pagamento de R$ 1 milhão, pela justiça do trabalho, "a título de reparação pelos danos causados aos direitos difusos e coletivos dos trabalhadores".

Qual a história por trás dessa condenação?

A Petrobras, no Rio Grande do Norte, sempre teve contratos com empresas para fornecimento de transporte. As empresas se responsabilizavam por contratar a mão-de-obra dos motoristas, fornecendo os veículos para a prestação de serviço à estatal.

De repente, em 2010, a Petrobras firmou contrato não mais com uma empresa, mas com uma "cooperativa". Ou uma suposta cooperativa, para ser mais preciso.

A partir da contratação da COOMA ao motorista que quisesse prestar serviço à estatal não bastava ser profissional, mas fazia-se necessário ser proprietário ou co-proprietário de veículo e, ainda, integraliza adquirir 20 cotas de adesão, totalizando R$ 400,00. Os motoristas deixavam de ser empregados de uma empresa e passavam a ser cooperados, perdendo os direitos sociais e trabalhistas previstos na CLT. Além disso, passavam a ser obrigados a dispor do valor relativo à adesão à COOMA. Viram-se, também, obrigados a participar da aquisição e manutenção dos veiculos.

Ou seja, de trabalhadores com direitos e garantias profissionais, os motoristas passaram a desfrutar de uma situação delicada e sem garantias - aumentando o custo pessoal envolvido no serviço. Agora, inclusive, sem salários.

O objetivo, claramente, era reduzir custos.

Para piorar, a COOMA, com sede em São Sebastião do Passé, na Bahia, comporta-se mais como empresa - com proprietário que seria seu presidente auferindo os lucros após o repasse aos "cooperados".

Parece o melhor negócio do mundo: ter uma empresa disfarçada de cooperativa. Assim, ter empregados que fingem ser cooperados que precisam arcar com os custos de adesão. Sequer o fornecimento dos veículos é responsabilidade do "patrão". O lucro tende a ser quase total, já que a COOMA não tem custos com aquisição e manutenção de veículos, nem com os encargos sociais e trabalhistas relacionados aos motoristas.

Não à toa, o Tribunal Regional do Trabalho proveu um recurso extraordinário do MPT declarando a irregularidade da cooperativa, condenando-a a se abster de fornecer mão-de-obra de trabalhadores a Petrobrás para quaisquer atividades, assim como também a Petrobras a, "imediatamente e doravante", "admitir mão-de-obra de instituição por meio dessa cooperativa". Além disso, a COOMA e a Petrobras foram condenadas a pagar R$ 1 milhão como "reparação pelos danos causados aos direitos difusos e coletivos dos trabalhadores".

A ação foi originada de uma representação do Sindipetro junto ao Ministério Público do Trabalho.

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