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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Notícia falsa de 2011 repercute em sites de notícia mundo afora

Por Kiko Nogueira
No Diário do Centro do Mundo

Há dois dias uma história bombástica foi parar em alguns dos maiores sites de notícias do mundo: uma mulher de São José do Rio Preto teria passado veneno em sua vagina e pedido para o marido fazer sexo oral. Era uma vingança. Os dois haviam brigado na véspera e ela quis se livrar dele. O homem sentiu um cheiro estranho e parou a tempo. Ele pretendia processa-la por tentativa de homicídio.

O Huffington Post publicou a história, atribuindo as informações a um site português chamado tvi24. O tvi24, por sua vez, dizia que a fonte era o portal Região Noroeste. Uma colunista do jornal The Guardian fez uma análise do caso. “A mitologia em torno das vaginas prejudica mais do que ajuda as mulheres”, escreveu Naomi McCauliffe. “Enquanto as mulheres se sentirem indefesas, nós seremos transformadas em bruxas, envenenadoras ou sereias”.

Na Salon, Katie McDonough diz que o fato de o homem ter levado a mulher para o hospital, apesar do plano diabólico, demonstra que “o cavalheirismo não morreu”. No Jezebel, a colunista avisa que envenenar alguém dessa maneira não é uma ideia muito boa. “Você não apenas está acabando com a vida de uma pessoa, como também está detonando seu ‘encanamento’ no processo”. O drama riopretense saiu nos sites brasileiros também. Era como uma versão moderna do mito da vagina dentata, presente em várias culturas, que expressa o medo ancestral da castração.

Bem, na verdade era mesmo o que parecia: uma palhaçada. A fonte primária é o Região Noroeste. Detalhe: a notícia é de 11 de abril de 2011. Como ninguém se preocupa em confirmar nada, a piada foi se espalhando até se tornar um viral. Não é a primeira vez que uma bizarrice é tratada como coisa séria, obviamente. A velocidade da informação da internet, casada com a preguiça da apuração, dá nisso.

Não se surpreenda se, daqui a dez anos, ler sobre a maníaca novamente. Como continua rendendo audiência, o Região Noroeste não vai tirar a notícia do ar tão cedo. Até o momento, a página tem mais de 2,7 milhões de acessos – e contando.

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