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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Expressão livre somente a minha

No meio da visita de Yoani Sanchez ao Brasil o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou recurso dos irmãos Lino e Mario Ito Bocchini contra decisão de primeira instância que cassou a existência do blog satírico "Falha de S. Paulo".

A ação foi movida pela Folha de S. Paulo, que se arvora a ser "um jornal a serviço do Brasil", mas que é incapaz de defender a liberdade de expressão - caso isso não sirva a seus interesses políticos e econômicos.

O TJ manteve a decisão da primeira instância. A Folha, "maior jornal do Brasil"e grande defensora da imprensa livre, conseguiu que a justiça mantivesse uma censura que se mantém a 873 dias.

Isso, certamente, não será dito na imprensa brasileira.

Resta-nos a Blogosfera para unir forças aos irmãos Bocchini - não somente a eles, mas o precedente aberto, como no processo do qual foi vítima Rodrigo Vianna por parte de Ali Kamel, coloca em risco o meu e o seu direito de manifestação.

Lino falou no Facebook:

"Os desembargadores do TJ-SP entenderam que o caso da Falha era de "direito marcário", e que devemos ficar fora do ar porque tínhamos nome e logotipo parecidos com o da Folha. Desconsideraram toda argumentação e a discussão pública em torno da Liberdade de Expressão. Vamos tentar recorrer ao STJ ou STF, mas isso não é tão simples. Completamos hoje 873 dias censurados e sei lá se um dia vamos voltar. E o pior de tudo é o precedente. Abriu-se uma jurisprudência que agora pode ser usada contra todos nós. Contra a própria Folha, inclusive. Enfim, depois escrevo mais. Muito obrigado a todos que nos apoiaram, e bola pra frente."

Há pouco, ele complementou: "Peço, por gentileza, a todos os que têm opinião formada sobre o caso Falha, que se manifestem, escrevam textos etc. A Folha já procurou nossos advogados, e está preparando um texto para a edição de amanhã (ou para sair no UOL ainda hoje). Ou seja, vai precisar de um mutirão enorme para combater a versão deles. O dano foi coletivo, e toda movimentação em torno da Falha tabém é coletiva.Por isso pedimos sua ajuda. Por favor manifestem-se em tudo que é canto... Obrigado!"

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