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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Dossiê que levou à renúncia do Papa incluía até rede de prostituição de seminarista

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dossie-levou-papa-a-renuncia-diz-jornal-,999901,0.htm

Corrupção, disputa política e uma rede de prostituição homossexual envolvendo seminaristas e imigrantes irregulares. As informações fazem parte de um dossiê de 300 páginas produzido por três cardeais a pedido do papa Bento XVI sobre a realidade da Igreja e que o teria convencido a tomar a decisão que há meses ele vinha estudando: sua renúncia.

As informações foram publicadas ontem pelo jornal italiano La Repubblica. Há uma semana, a revista Panorama também havia citado o mesmo informe, indicando que ele foi entregue ao papa no dia 17 de dezembro.

Perguntado sobre a veracidade do dossiê, Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse: "Não confirmamos nem negamos as informações". Segundo ele, "cada um precisa assumir suas responsabilidades".

"Foi naquele dia, com os papéis sobre sua mesa, que Bento XVI tomou a decisão que ele estava pensando há tanto tempo", apontou o jornal, afirmando que o documento estaria guardado num cofre, nos aposentos do papa, e será entregue a seu sucessor, para que uma ampla limpeza comece a ser realizada.

Os três cardeais que conduziram as investigações teriam chegado à constatação da existência de facções diferentes dentro da Cúria, uma das quais definidas por sua "orientação sexual".

Esse grupo de bispos e religiosos homossexuais teria criado uma espécie de rede de prostituição de seminaristas e até de imigrantes para servir ao alto escalão. Os encontros entre esses bispos ocorreriam em diversos locais de Roma, em saunas e até mesmo na casa de um arcebispo italiano. Eles também teriam siso vítimas de chantagem.

O jornal italiano faz referência ao escândalo envolvendo Angelo Balducci, que em 2010 era assessor do papa. Em escutas telefônicas, a polícia - que o investigava por corrupção - identificou como ele usava serviços do nigeriano Chinedu Thomas Ehiem, cantor da Capela Julia, na Basílica de São Pedro, para contratar jovens para serviços sexuais.

Os encontros ocorreriam em locais relacionados também com Marco Simeon, protegido do secretário de Estado, Tarcisio Bertone. O nome de Simeon já havia aparecido em investigações sobre corrupção dentro da Igreja. Simeon também foi citado no caso da demissão de Ettore Gotti Tedeschi - o executivo-chefe do Banco do Vaticano que tentou limpar a instituição, sem sucesso.

Segundo o jornal, o documento vai "condicionar o conclave" a escolher um papa capaz de lidar com esse escândalo.

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