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Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Desembarque do PSB do governo federal ajudaria Dilma a realizar reforma ministerial

O relatório sobre irregularidades na Transposição do Rio São Francisco, divulgado hoje, deverá precipitar a saída de Fernando Bezerra do Ministério da Integração. Bezerra, mais que indicação do PSB, é nome do presidenciável Eduardo Campos.
Será que o PSB desembarca do governo no mesmo processo?


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Em pleno Carnaval, ministro tentou contemporizar intenção dos socialistas de liderarem oposição à presidente Dilma Rousseff; "Todo o partido busca o poder, só que temos um compromisso de primeira hora com a aliança com o PT", disse Fernando Bezerra; habilidade verbal pode se mostrar inútil caso PSB rompa com a base aliada; cadeira serviria para presidente fazer uma mini-reforma ministerial que envolveria, ainda, a troca no Ministério do Turismo de Gastão Vieira por Gabriel Chalita.

A presidente Dilma Rousseff já tem por onde começar a sua reforma ministerial. A julgar pela disposição dos principais líderes do PSB, o partido quer mesmo antecipar seu posicionamento na sucessão presidencial de 2014, lançar o quanto antes a candidatura do governador Eduardo de Campos, de Pernambuco, e promover uma disputa particular com o PSDB sobre a primazia de liderar a oposição ao PT. É insustentável, nesse plano, a permanência do ministro da Integração Regional, Fernando Bezerra, no cargo.

Interessado em ficar, porém, Bezerra tem procurado contemporizar os ânimos em seu próprio partido, disparando recados de que a decisão de lançar Campos contra Dilma não será tomada.

"O PSB é um aliado de primeiro momento do PT no governo federal", disse o ministro, no sábado de carnaval, em meio ao desfile do tradicional bloco Galo da Madrugada, em Recife. Para ele, as críticas do governador Campos à administração federal são "discussões para aproximar o partido da sociedade e ajudar o País". Bezerra prosseguiu: "Todos os fatos recentes demonstram a disposição do PSB em ajudar Dilma a vencer 2013. Ouço de Eduardo que a disposição é no sentido de manter a aliança". Ele julga como natural a disposição da agremiação em planejar uma candidatura própria, mas adianta que essa estratégia ainda não estaria madura entre os socialistas. "Todo partido busca o poder, nenhum pensa em ser sempre auxiliar. Só que temos um compromisso com uma aliança, o ambiente é de diálogo entre PT e PSB", defendeu Bezerra Coelho.

Apesar da defesa, o descontentamento de Dilma com o desempenho de Bezerra já circula entre as colunas de bastidores políticos de Brasília. Além do baixo índice de realizações do PAC 2 no Nordeste, pesam contra ele as movimentações do PSB em oposição ao PT em áreas estratégicas como o governo do Distrito Federal, de grande visibilidade política. Apesar de deter mais de 60 cargos na administração do GDF, o PSB anunciou no ano passado o seu desembarque da base aliada do governador Agnelo Queiroz, do PT. O gesto desagradou Dilma, que tem em Agnelo um correligionário que não lhe cria problemas e, ainda, a ajuda a manter a capital federal em clima de desenvolvimento para a Copa do Mundo de 2014, graças à construção do Estádio Mané Garrincha. A arena, em estado adiantado de construção, já é vista como a mais bonita entre as que estão sendo feitas no País.

A partir da cadeira de Fernando Bezerra, Dilma poderá iniciar a remontagem de áreas importantes de sua administração. A presidente ainda não desistiu de colocar o deputado paulista Gabriel Chalita, do PMDB, em seu ministério, mas está menos inclinada do que antes a desalojar o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, de sua posição. A primeira alternativa, de colocá-lo no Turismo, onde o titular é Gastão Vieira, esbarrou num problema sério: Vieira é aliado do ex-presidente José Sarney, o que provocaria uma reação de sabor indigesto para o governo. Contemplando, porém, um nome peemedebista no poderoso Ministério da Integração Regional, Dilma não teria dificuldade em convencer seus aliados a aquiescer com a entrada de Chalita no primeiro escalão pela porta do Turismo.

Caso o PSB consume efetivamente o gesto de romper com o governo, toda a habilidade verbal de Bezerra, demonstrada em pleno carnaval, terá sido vã.

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