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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Caso Folha x Falha: jornal já foi parodiado, mas deixou pra lá

Por: Plínio Bortolotti

A 5ª turma do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) tomou a decisão de manter fora do ar o portal “Falha de S. Paulo”, uma paródia do jornal “Folha de S. Paulo”. Segundo entendimento dos desembargadores o caso é de “direito marcário”, isto é o direito de usar a marca, exclusivo do jornal, que tem o seu registro. Os editores do portal, os irmão Mário e Lino Bocchini, afirmam que vão levar o caso para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou para o Supremo Tribunal Federal (STF). [Leia mais noComunique-se]

Opinião

Se o argumento fosse levado a sério, qualquer paródia seria impossível, pois “copiar” o original está em sua essência. Se a Coca-Cola, por exemplo, fosse processar todo mundo que parodiasse o seu logotipo, deixaria de ser uma engarrafadora de água com açúcar para se transformar no maior escritório de advocacia do mundo.

Nada é mais pessoal do que a imagem da pessoa, que é a sua “marca”. Se, por analogia, todos os políticos, artistas, etc., reivindicassem o “direito marcário” para proibir imitações (paródias), imaginem o tanto de humoristas e chargistas que ficariam desempregados.

Antecedentes

Existe um antecedente, pouco comentado, em relação a paródias com produtos da Folha de S. Paulo. Quem lembrou do caso, via Twitter, foi o professor Carlos Augusto Lima (@memoriaeprojeto). Durante muito tempo o jornal editou um caderno de cultura chamado “Mais”.

Sentindo-se excluído da “grande mídia”, o poeta mineiro Sebastião Nunes editou, em 1996, uma cópia graficamente idêntica do caderno, dando-lhe o nome de “pseudo-Mais!” Segundo artigo na revista eletrônica Zunái, assinado por Fabrício Marques, sentindo-se ameaçado de processo pela Folha de S. Paulo, o escritor respondeu em carta-aberta, endereçada ao jornal paulista e a mais de 300 escritores e jornalistas brasileiros. “O jornal silenciou”.

O que teria levado o jornal a desistir no passado e insistir agora?

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