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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Para @Brasil247, Caso Falconi zera chances de Gerdau na Fazenda

No Brasil 247

Repercussão em tudo negativa da contratação, sem licitação, do consultor Vicente Falconi, por R$ 59 milhões, tira empresário Jorge Gerdau da fila dos que podem substituir Guido Mantega na Fazenda em caso de engasgo na economia; apadrinhamento pegou mal.

O empresário Jorge Gerdau, desde quando ficou claro, no final do ano passado, que o PIB de 2012 não ultrapassaria a marca de 1% de crescimento, passou a ser uma sombra para o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Desde 2011 no governo da presidente Dilma Rousseff, o empresário global do ramo siderúrgico já vinha sendo visto como o principal consultor de Dilma em assuntos estratégicos.

À frente da Câmara de Gestão e Planejamento, ele dá sugestões sobre medidas que estimulem a competitividade do Brasil. O chamado 'conselhão' não trata apenas de um assunto e tem uma cartela variada de temas. Daí para, numa hora de dificuldade, assumir a condução da economia seriam poucos passos a dar, já dentro do próprio Palácio do Planalto. Mas agora foram lançadas luzes sobre essa sombra – e Gerdau viu reduzidas a pó suas chances de coroar sua bem sucedida carreira como capitão de indústria e ser nomeado ministro da Fazenda.

O farol atende pelo nome de Vicente Falconi . Trata-se do consultor contratado pelo governo federal, a pedido do próprio Gerdau, para contribuir com sua expertise na gestão pública. Falconi cumpre no governo o papel de quem pode dar pitacos em quase tudo, ensinando por sua cartilha, procedimentos de gestão em diferentes áreas, para se ter uma administração pública eficiente.

O problema não é esse. Falconi foi contratado, sem licitação pública, por honorários de R$ 59,1 milhões, tendo Gerdau como padrinho. Se se pode dizer que isso não é um escândalo, dado o currículo do contratado, no mínimo soa como algo muito pitoresco. Jorge Gerdau, afinal, foi chamado pela presidente Dilma Rousseff para contribuir com suas ideas na gestão – e não para terceirizar, por R$ 59,1 milhões, esse papel.

As relações de Gerdau com PT da presidente sempre foram próximas, mas jamais tranquilas. Gigante global do ramo siderúrgico, com a bandeira da sua Gerdau fincada em países como Estados Unidos, Canadá, e em praticamente toda a América do Sul, ele reconhecidamente é um empresário duro com seus trabalhadores. Já declarou que prefere um empregado técnico a um colaborador político. Seu jeito de gerir já lhe rendeu uma série de conflitos trabalhistas nos Estados Unidos, e também aqui no Brasil.

No governo de Dilma, Gerdau já desfrutou de uma série de audiências pessoais com a presidente da república. Mas não se sabe exatamente quais tem sido suas contribuições efetivas na gestão. Interlocutores do governo apontam a participação do empresário na decisão do executivo em reduzir as contas de energia elétrica. Empresas vão ter abatimento de mais de 30% nos valores, medida que pode, e muito, estimular a produção nacional.

Porém o que fica dele é sua capacidade de articulação com outros empresários de porte tão grande quando o seu. Simpático e bonachão, Gerdau tem trânsito em todas as áreas. Seria, nessa condição, o nome ideal para substituir o ministro da Fazenda Guido Mantega em caso da economia engasgar.

Ainda não se conhece a manifestação oficial de Gerdau a respeito do caso Falconi, mas seja qual for, o certo é que a repercussão da contratação sem licitação do consultor o tirou da fila dos que podem se sentar na cadeira de ministro. Pegou mal.

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