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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

MPF impede demolição de antigo Museu do Índio no Rio

No R7

O MPF (Ministério Público Federal) entrou nesta segunda-feira (14) com um novo recurso na Justiça Federal para impedir a demolição do antigo Museu do Índio, localizado ao lado do Maracanã, na zona norte do Rio. O governo do Estado quer demolir o prédio, de 1866, para dar lugar a um estacionamento e um centro de compras anexo ao estádio para a Copa do Mundo de 2014. No sábado (12), o prédio foi cercado pela Polícia Militar, à espera de um mandado de reintegração de posse.

O recurso proposto pelo MPF ao Tribunal Regional Federal questiona a derrubada de duas liminares, em novembro, que impediam a demolição do prédio. De acordo com o recurso, "não se pode, com uma decisão de efeito provisório, gerar a perda definitiva de um valor histórico, cultural e arquitetônico impossível de ser resgatado". O MPF argumenta ainda que a demolição é contestada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) e pelo Crea (Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo).

O museu está ocupado por 23 famílias indígenas e diversos ativistas contrários à demolição. Desde sábado, quando o prédio foi cercado pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar para a reintegração de posse, o grupo vive na apreensão e expectativa de uma nova operação. Nesta segunda, dois operários da reforma do Maracanã que furaram o cerco policial e entraram no museu em apoio aos índios foram demitidos da obra. Os carpinteiros José Antonio dos Santos, 47, e Francisco de Souza Batista, 33, contaram que deixaram o turno de trabalho no estádio e foram para o museu por serem contra a derrubada do prédio. Nesta segunda, eles foram homenageados pelos índios e ativistas que ocupam o prédio.

Cerca de cem pessoas estão acampadas no espaço, à espera de uma decisão judicial sobre a reintegração de posse. Em nota, o consórcio responsável pela reforma informou que os operários foram desligados pois deixaram as funções no horário de trabalho.

Histórico

No sábado, a Defensoria Pública do Rio já havia conseguido uma liminar impedindo a ação. Segundo Eduardo Newton, responsável pela ação, "a polícia cercou o prédio sem qualquer respaldo legal, sem os trâmites previstos em lei para remoções". A batalha jurídica começou em outubro, quando o governo estadual anunciou a compra do prédio e o projeto de demolição.

De acordo com o governo do Rio, já há uma licitação aprovada para a demolição do prédio, orçada em R$ 586 mil. O contrato, entretanto, ainda não foi assinado - a previsão é que a demolição aconteça antes da Copa das Confederações. O governo informou ainda que está fazendo, desde sábado, o cadastramento dos moradores do prédio para o recebimento de aluguel social.

A proposta, entretanto, é rejeitada pelos indígenas. As famílias de diferentes etnias ocupam o prédio desde 2007 com a proposta de transformar o prédio em um centro de memória e cultura indígena chamado "Aldeia Maracanã." Um dos líderes do movimento, Dauã Puri, de 59 anos, avalia que a ação do último sábado foi uma intimidação aos índios.

— O que estão querendo fazer é um processo de invisibilidade da cultura indígena. Isso aqui é um espaço sagrado e que precisa ser respeitado.

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