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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Marta Suplicy defende preservação do antigo museu do índio

No Estadão

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu publicamente a preservação do prédio do antigo Museu do Índio depois de manifestar, em conversa com o governador em exercício do Rio, Luiz Fernando Pezão, sua posição contrária à demolição do imóvel, construído em 1862.
Índio se mobiliza contra demolição da 'Aldeia Maracanã' - Wilton Junior/AE - 15/01/2013
Wilton Junior/AE - 15/01/2013
Índio se mobiliza contra demolição da 'Aldeia Maracanã'
Em nota oficial, Marta afirmou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já recomendou ao Estado o tombamento do imóvel. "Esperamos que prevaleçam o interesse na preservação do patrimônio material e imaterial e a sensibilidade do governo do Estado", disse ela.
O governo estadual rebateu a declaração à noite, por meio de nota, afirmando que "jamais recebeu recomendação do Iphan para preservar o prédio, que nem é tombado pelo próprio Iphan". "O governo do Estado lamenta que a ministra tenha se posicionado dessa maneira."
Na nota, o governo afirma que o ex-superintendente do Iphan no Rio, o arquiteto Carlos Fernando Andrade, defendeu a demolição do prédio. Além disso, tenta desqualificar a luta dos índios que ocupam o prédio, afirmando que "chamar de 'aldeia maracanã' a invasão em 2006 de um prédio federal abandonado é na verdade um desrespeito ao conceito de aldeia indígena". "Há verdadeira distorção dos fatos históricos e recentes", prossegue o governo.
Ocupado por dezenas de índios desde 2006, o prédio fica ao lado do estádio do Maracanã, na zona norte do Rio. Apesar de recomendações de órgãos de patrimônio pela preservação do imóvel, o governo do Estado quer remover os índios e demolir o casarão imperial. A justificativa oficial é a necessidade de "urbanização e mobilidade do público" no entorno do estádio para a Copa de 2014.
Na semana passada, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) negou pedido de restauração do prédio e autorizou sua demolição, contrariando parecer do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. Em dezembro, o conselho se opôs, por unanimidade, à demolição e indicou o tombamento do prédio. Pela primeira vez uma recomendação do conselho não foi seguida pelo prefeito. "Há uma necessidade de se abrir aquele espaço", disse Paes na ocasião. O governador Sérgio Cabral (PMDB) já declarou que "chamar aquilo de aldeia indígena é um deboche". "É uma invasão recente, uma ação política", declarou.
As duas liminares que a defensoria pública da União havia obtido, uma para manter os índios no imóvel e outra para impedir a demolição, foram suspensas por decisão do Tribunal Regional Federal. Houve recurso. Nesta sexta-feira, 25, a Advocacia Geral da União deve se manifestar. O prazo de dez dias estipulado pelo governo do Estado para desocupação do imóvel, por meio de notificação, termina na segunda-feira. "A manifestação da ministra se mantém alinhada com os órgãos técnicos", disse o defensor público federal André da Silva Ordacgy.

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