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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Interesse público ou sensacionalismo?

Segundo o Código de Ética, é vedado ao médico "Divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico."
A previsão é do seu artigo 112.
O artigo foi citado pelo advogado Thiago Cortez, como que justificando o processo contra o médico Jeancarlo Cavalcante.
Evidentemente, Jeancarlo nem se promoveu nem mentiu quando filmou e divulgou o vídeo em que mostrou não haver fio de aço para suturar um paciente grave no Walfredo Gurgel.
Será que a filmagem é sensacionalista?
Qualquer estudante de jornalismo sabe que não, uma vez que o evidente interesse público é notório. Afinal, a denúncia demonstra que faltam insumos básicos no maior hospital público do estado.
Uma analogia pode ajudar a compreender.
O código de ética do jornalismo prevê que a regra é o jornalista não usar gravações com equipamentos escondidos. A exceção é o caso de interesse público.
Se o caso denunciado por Jeancarlo Cavalcante fosse filmado com câmera escondida e publicado por um jornalista ninguém levantaria a questão do sensacionalismo porque, evidente, se trata de denúncia de enorme interesse público.
Como acontece também com respeito a casos de corrupção.
Acusar e denunciar Jeancarlo com base nesse artigo é uma tosca tentativa de limitar a liberdade de expressão e o direito do cidadão conhecer informações de interesse público.

P.S.: Fui alertado por leitores que cometi um erro tosco nesse post: quem se pronunciou no twitter foi o advogado Thiago Cortez e não Felipe, como havia registrado na primeira versão do post.
Desculpem todos.

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