Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ideli só esqueceu de "combinar com os russos"

No Brasil 247

A declaração da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de que o Planalto "não tem preferência" por nenhum dos partidos que disputam as presidências do Senado e da Câmara mostra o tamanho da saia justa enfrentada pelo governo; embora este nos bastidores pelo candidato do PMDB, Henrique Alves, o governo quer manter o PSB na base governista; será que a estratégia dará certo?

A expressão do legendário jogador Mané Garrincha cabe como uma luva n a tentativa do Governo em manter a tranquilidade entre o PSB e o PMDB. A declaração da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de que o Planalto "não tem preferência" por nenhum dos partidos que disputam as presidências do Senado e da Câmara Federal mostra o tamanho da saia justa. Se no Senado Renan Calheiros (PMDB) tem tudo para ganhar o cargo com folga, a situação na Câmara, onde o peemedebista Henrique Eduardo Alves (PMDB) enfrenta Júlio Delgado (PSB), é mais delicada. Hoje o PT tenta acalmar o PMDB e ao mesmo tempo segurar o PSB na base governista, o que justifica a declaração pela não preferência entre os candidatos das duas legendas, muito embora o PT e a presidente Dilma venham atuando para eleger o postulante do PMDB.

De acordo com o portal G1, em um encontro com jornalistas na manhã desta quarta-feira (23), a ministra teria dito que “A deliberação de presidência e Mesa é uma deliberação autônoma, soberana do Congresso Nacional, e nós apenas estamos acompanhando e respeitaremos como sempre a deliberação soberana dos deputados e senadores. O Planalto não tem preferência, porque a preferência nossa é que eles escolham e que a gente possa continuar tendo esta relação produtiva, benéfica para o país, que nós tivemos ao longo desses dois anos”. A referência diz respeito ao rodízio acordado entre PT e PMDB para alternarem o comando das duas casas legislativas a cada biênio, vez que agora caberia aos peemedebistas.

O que ninguém esperava é que a candidatura do socialista Júlio Delgado, que lançou-se inicialmente na disputa pela presidência da Câmara sem o apoio da direção da legenda, acabasse por decolar. Hoje, o PSB conta com as denúncias de favorecimento ilícito na liberação de emendas que pesam contra o candidato do PMDB e, também, com a disputa entre o PSDB e PSD por espaços na mesa diretora para levar a disputa ao segundo turno. Esta briga pode levar o PSDB a lançar uma candidatura própria, tirando votos do pemedebista e empurrando a disputa para uma segunda etapa, onde a candidatura do socialista passaria a ter condições reais de ameaçar a postulação do PMDB em acumular a presidência das duas casas.

No meio desta seara está o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Pré-candidato à Presidência da República em 2014, Campos sabe que o controle da Câmara forçaria o PT a manter uma relação mais próxima com a legenda socialista, ampliando o cacife político e a visibilidade do partido. Além disto, uma vitória de Delgado implicaria em uma espécie de freio de arrumação na voracidade do PMDB por cargos e maiores espaços na administração federal.

É diante desta situação que vem a declaração da ministra em não apoiar nenhum dos partidos na briga pela Câmara. Apesar disto, o Governo vem trabalhando em prol do candidato do PMDB. Por sua vez, Campos vem atuando veladamente para viabilizar a postulação de Delgado, tendo declarado que se “fosse deputado votaria nele (Delgado)”. Esperto, Campos sabe que a manutenção da aliança entre o seu partido e o PT é fundamental às suas pretensões. Caso rompa em definitivo com o aliado, ele poderá ver minguar os recursos federais que nos últimos anos impulsionaram a economia pernambucana acima da média nacional. Faltando mais de um ano para as eleições 2014, uma situação assim prejudicaria a imagem de bom gestor construída pelo socialista. Neste ponto, o governador tem optado por afirmar reiteradamente que o PSB permanece na base aliada e apoiando o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), pelo menos ao longo deste exercício.

Enquanto isto, o Governo tenta não se indispor diretamente com nenhuma das legendas. De um lado o PMDB possui a maior bancada no Congresso e, ainda, tem Michel Temer como vice-presidente. Já o PSB saiu como o partido mais fortalecido nas últimas eleições e é considerado fundamental ao garantir apoio nos projetos de interesse do governo, a despeito das intenções eleitorais mais à frente. Diante deste caldeirão político, o governo procura não melindrar nenhum dos aliados neste momento.

Diante deste cenário, não é difícil prever que o assunto constará da pauta da reunião que a presidente Dilma deverá ter com Lula nesta sexta-feira, quando ela deverá pedir auxílio no sentido de acalmar a tensão cada vez mais evidente entre as duas legendas.

Comentários

Postagens mais visitadas