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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Aaron Swartz, criador do sistema RSS, suicidou-se aos 26 anos


No Público (PT)

O programador informático norte-americano Aaron Swartz, responsável pela criação do sistema RSS, foi encontrado morto na sexta-feira no seu apartamento em Nova Iorque, onde se terá enforcado. Tinha 26 anos e estava a poucas semanas de enfrentar um julgamento que o poderia condenar a 30 anos de prisão.

Foi aos 14 anos que Swartz começou a escrever o seu nome na história da Internet. Com essa idade ajudou a criar a tecnologia digital RSS, um protocolo que permite a leitura dos sites através da subscrição de feeds(actualizações em tempo real). Poucos anos depois criou a rede social Reddit, uma comunidade de partilha de links que se auto-denomina “o portal da Internet”.

O percurso profissional de Swartz confunde-se com a sua visão do mundo. Defendia a liberdade de circulação de conteúdos na Internet e em 2008, aos 22 anos, escreveu o seu próprio manifesto. O documento, que titulouGuerrilla Open Acess, começava assim: “A informação é poder. Mas como todo o poder há aqueles que querem guardá-lo para si.” Nele, Swartz defendia que todos deveriam ter acesso aos artigos científicos publicados online e apelava ao fim do que considerava “um roubo privado da cultura pública”.

Essa forma de estar valeu-lhe um processo na justiça. Em 2011, Swartz foi acusado de fazer download ilegal de 4,8 milhões de documentos científicos e literários (quase a totalidade do arquivo) da plataforma na Internet intitulada JSTOR, através da rede do MIT (Massachussets Institute of Technology). Se fosse condenado, estaria sujeito a uma pena de 30 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de um milhão de dólares.

A família de Swartz divulgou um comunicado dizendo que esta morte “não é apenas uma tragédia pessoal” mas também “um produto de um sistema de justiça criminal repleto de intimidações”. Os familiares culpam as autoridades judiciais e o próprio MIT pela morte do filho, que iria ser punido por “um alegado crime que não fez vítimas”.

O arquivo digital JSTOR tinha até decidido não apresentar queixa contra Swartz depois de este ter devolvido as cópias digitais dos artigos, mas umgrand jury (júri de cidadãos que avalia provas e decide se um crime é passível de acusação) decidiu que o programador deveria, ainda assim, responder em tribunal.

Aaron Swartz cometeu o “crime” quando estudava na Universidade de Harvard, em Boston, e se ligou através da rede wi-fi do MIT, acedendo a uma das suas bases de dados. Deixou o computador ligado uma noite inteira para copiar 4,8 milhões de trabalhos de investigação alojados na rede interna.

Já em 2008, Swartz tinha sido investigado pelo FBI por ter descarregado e divulgado mais de 18 milhões de páginas de informações de arquivos judiciais. No ano passado, Aaron Swartz tinha sido uma voz activa no debate sobre a propriedade intelectual na Internet levado a cabo pelo Congresso norte-americano. Na altura estava em cima da mesa um projecto de lei de combate à pirataria online – "Stop Online Piracy Act" (SOPA) – que dava mais poder aos detentores dos direitos de autor para que combatessem odownload ilegal e a falsificação de artigos. Swartz deu uma conferência na qual argumentava contra este projecto de lei, entretanto suspenso.

Era público que Swartz sofria de uma depressão. Na sexta-feira, a namorada foi encontrá-lo morto, enforcado, no apartamento onde vivia. A família criouum site em sua homenagem. O funeral realiza-se nesta terça-feira, no Illinois.

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