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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Uma novela em longos, intricados e delicados capítulos

Imaginem o que relato a seguir.
No meio de uma disputa eleitoral acirrada para o governo do estado, uma cooperativa de crédito cujos gestores são ligados a um grupo político é denunciada por um partido político adversário.
A representação é feita no Ministério Público Federal.
Na ocasião o chefe da instituição é, por coincidência, filho de um deputado estadual do partido reclamante.  O caso é passado para uma outra procuradora que, segundo a denúncia, é sua namorada naquela data.
Em consequência, o MPF recomenda que a instituição devolva milhões aos cofres públicos, acusando-os de prática delituosa.
Esse é o ponto de partida da documentação que tenho em mãos.
Os personagens não são difíceis de identificar.  A campanha era a de 2006. O Procurador da República Marcelo Alves Dias de Souza, filho do deputado José Dias (que então era do PMDB) e primo do então candidato ao governo, Garibaldi Filho, nega que fosse namorado a época da procuradora Caroline Maciel.  O fato foi negado por ela também.  Ambos responderam a processos administrativos no âmbito do MPF e do Conselho Nacional do Ministério Público e foram considerados inocentes.
Ainda assim, algumas questões podem ser postas no que se refere a suas atuações neste caso e, também, em processos que envolvem, como réu, o ex-deputado estadual Poti Júnior.
Sobre Poti, um caso chama a atenção.  Desde 2010 pronto para ser julgado no Tribunal de Justiça.  Uma sucessão de mal-explicadas alegações de suspeição adiou o julgamento, a partir da ação de influente escritório de advogados, ainda que tenha havido constante pressão do CNJ.  Um desembargador passou nove meses com o processo sem realizar nenhum despacho.  Meses depois do primeiro despacho, alegou suspeição.
Agora, o caso parece ter naufragado no âmbito do TJ. Poti Júnior foi eleito Conselheiro do TCE e seu foro, por isso, subiu ao STJ.
São essas histórias - e mais algumas - que eu tenho a contar.

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