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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Prefeito de Salvador altera Plano Diretor no fim do mandato

No Brasil 247

Logo após vitória de ACM Neto, prefeito João Henrique enviou à Câmara projetos que alteram o Plano Direto e Lei de Uso e Ocupação do Solo da capital; Ministério Público afirma que leis aprovadas vão beneficiar construtoras e avisa que irá à Justiça para barrar mudanças; equipe de ACM Neto diz que prefeito eleito não foi consultado e não foram realizadas audiências públicas para debater os projetos.

A guerra política tomou conta do processo de transição na prefeitura de Salvador. O que era para ser uma atividade restrita aos trâmites administrativos ganhou e realizada sem maiores transtornos agora contará com a intervenção do Ministério Público.

O prefeito João Henrique (PP) não conseguiu fazer seu sucessor e logo após a derrota para ACM Neto (DEM) encaminhou um pacote de projetos que altera radicalmente as regras urbanísticas e ambientais em vigor na capital baiana.

Os projetos de lei foram aprovados e já sancionados neste mês e mudam o Plano Diretor e Lei de Uso e Ocupação do Solo. O Ministério Público afirmou que as leis trouxeram à tona dispositivos já barrados pela Justiça.

O MP baiano comunica que vai à Justiça para vetar as mudanças propostas por João Henrique. Promotores garantem que as leis reduzem áreas de proteção ambiental para beneficiar grandes construtoras.

A medida mais polêmica é a que reconhece uma dívida municipal de R$ 36 milhões com os donos do Shopping Aeroclube, construído num terreno público da orla, por meio de concessão. O centro comercial ficou fechado por vários anos, devido aos embargos judiciais.

Vencida a questão nos tribunais, o empreendedor alegou que a paralisação gerou desequilíbrio econômico-financeiro e pediu compensação à prefeitura, que se diz obrigada, por contrato, a pagar a conta. Sem dinheiro em caixa, o prefeito João Henrique “pagou a conta” estendendo a concessão do local por mais 30 anos, a partir de 2026. O contrato atravessará a gestão de ACM Neto e as outras dez seguintes.

Sem consultas e audiências

“Não houve consulta ao prefeito eleito se isso seria normal. Muitos projetos dependem do controle social, exercido em audiências públicas e conselhos”, afirmou o ex-governador Paulo Souto (DEM), que coordenou a equipe de transição de ACM Neto.

“O mínimo que se deve fazer é uma discussão ampla com a sociedade. O prefeito tem legitimidade até o último dia de mandato, mas há, neste caso, um aspecto moral. O correto seria deixar essas questões para o administrador seguinte. As mudanças só beneficiam o empresariado”, diz a promotora Rita Tourinho.

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