Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Assepsia: Em Duque de Caxias, prefeito está sumido

http://m.extra.globo.com/noticias/rio/baixada-fluminense/duque-de-caxias-uma-cidade-sem-prefeito-7122556.html

Procura-se o prefeito de Duque de Caxias. Na segunda cidade mais rica do estado do Rio, ninguém sabe onde está José Camilo Zito dos Santos (PP), que vem mantendo-se recolhido desde que a população começou a demonstrar nas ruas a insatisfação com a sua gestão. E não é difícil descobrir os motivos: qualquer morador é capaz de citar a crise na coleta de lixo, a deficiência no sistema público de saúde e o mau desempenho da educação. Mas as buscas da Polícia Federal na casa de Zito por conta da "privatização" das unidades de saúde do município foi a gota d’água para muitos.

Por medo, vizinhos e funcionários da prefeitura não gostam de se identificar quando falam de Zito. Mas todos reclamaram da ausência do prefeito num momento em que mais precisavam dele — Zito governa a cidade pela terceira vez, mas não foi reeleito para novo mandato.

Uma equipe do EXTRA foi procurar o prefeito para saber qual a sua resposta para os mais de 600 mil eleitores do município sobre as denúncias em que está envolvido. A primeira parada foi na Rua Alferi, no bairro Doutor Laureano, casa de Zito. Na quinta-feira, a Polícia Federal cercou o imóvel em busca de documentos que possam ajudar uma investigação sobre o repasses de quase R$ 700 milhões para organizações que operam sete unidades de saúde do município.

Ontem, às 14h30m, Zito também não estava em casa. Um caseiro atendeu a porta e disse que ele nem tinha dormido por lá. Perguntado se o prefeito iria voltar para casa, o funcionário disse que não.

Vizinhos contam que Zito só foi visto na segunda-feira.

— Ele chegou, entrou em casa, ficou 15 minutos e foi embora — disse o morador.

— Essa casa é só fachada, ele só ficou aqui na época da eleição. Depois que perdeu, nunca mais apareceu — afirmou outro morador.

Ainda resta ao prefeito cumprir uma semana de mandato. Por isso, ele também foi procurado na prefeitura, a 11km da sua casa.

A reportagem chegou ao local às 16h20m. O porteiro informou que o expediente havia terminado. O funcionário afirmou ainda que o prefeito não apareceu durante a semana e "possivelmente, não virá na próxima".

Justiça diz que Saúde foi ‘quarteirizada’

A devassa feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) nos contratos entre a Prefeitura de Caxias e duas organizações que administram os serviços de saúde no município revelam o desperdício de recursos públicos e a ilegalidade de algumas transações. É o caso da administração direta de seis unidades pré-hospitalares e ambulatoriais e um hospital pela ONG Salute Sociale.

Não existe qualquer contrato entre essa organização e a prefeitura, o que é ilegal. Ela foi contratada, num sistema de quarteirização, pela empresa terceirizada Associação Marca (A Marca). Além desta empresa, participou da privatização da administração da saúde o Instituto de Gestão em Políticas Públicas (IGEPP).

Os termos firmados com as duas empresas representam uma despesa de mais de R$ 700 milhões. Segundo a decisão do juiz Osair Victor de Oliveira Junior, da 1 Vara Federal de Duque de Caxias, "aparentemente, os termos de parceria haviam sido firmados de forma autônoma", mas, durante as investigações, "foi descoberta a relação entre as organizações contratadas, o que demonstrou o esquema fraudulento, cujo objetivo era o desvio de dinheiro público".

O contrato firmado com A Marca previa repasses mensais de R$ 8,8 milhões. Segundo cálculos da Secretaria municipal de Saúde, o custo mensal das unidades atendidas pela empresa é de R$ 5 milhões, além de R$ 7 milhões para recuperação.

Segundo vistorias dos Ministérios Públicos estadual e Federal, no entanto, os problemas enfrentados eram de fácil solução e não demandavam grandes investimentos financeiros. O relatório dos MPs chega a afirmar: "Uma boa orientação dos diretores das unidades por parte do coordenador de Vigilância Sanitária ou do próprio secretário de Saúde já seria suficiente para resolver 80% das deficiências descritas". Assim, o valor de R$ 7 milhões, se mostra, segundo a Justiça Federal, excessivo.

O EXTRA não conseguiu contato com as empresas.

Comentários

Postagens mais visitadas