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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Noblat grita "apagão" e revela agenda anti-PT



O ataque organizado dos colunistas da grande imprensa agora tem como mote o "pibinho" e a ineficiência econômica. Como a corrupção não gruda na presidente Dilma, a saída é tentar responsabilizá-la pelo caos aeroportuário e pelos apagões (mesmo quando a falta de luz dura apenas quatro minutos, como no bairro nobre de Brasília onde vive Ricardo Noblat)

Eram 15h01 quando o jornalista Ricardo Noblat, colunista do Globo, postou no Twitter a informação sobre um suposto novo apagão em Brasília. "Juro: acaba de faltar luz no lago sul de Brasília. Ontem foram 3 horas sem luz. Dessa vez não teve trovão nem raio nem granizo. Espalhem!". Mais do que simplesmente noticiar, Noblat pediu para que seus seguidores disseminassem a informação. Quatro minutos depois, no entanto, veio a correção: "Voltou a luz. Veremos até quando".

Na prática, o tweet de Noblat sintetizou uma velha máxima do jornalismo: "good news is bad news", ou seja, notícia boa é notícia ruim. Seu apagão de quatro minutos foi tão frustrante, que o colunista deixou transparecer sua má vontade no "veremos até quando".

O alarme de Noblat não seria uma notícia se não fosse parte de um movimento organizado. O "pibinho" e a economia são os novos motes de grande imprensa para tentar derrubar a popularidade da presidente Dilma Rousseff – o que não será tão simples num país onde o desemprego está na menor taxa em dez anos.

Nesta sexta-feira, Eliane Cantanhêde resgatou o "especialista" Maílson da Nóbrega (aquele da hiperinflação) para atacar o "intervencionismo" de Dilma e de seu ministro Guido Mantega (leia aqui). Miriam Leitão retratou uma Dilma que teria sido abduzida e viveria numa espécie de realidade paralela (leia aqui). E Ancelmo Gois atingiu o ápice ao reproduzir uma suposta frase dita no Galeão: "Se alguém aqui votar em Lula ou em Dilma, é filho da puta!" (leiaaqui).

Noblat foi além e noticiou um apagão de quatro minutos. Será que os especialistas em mensalão, agora convertidos em especialistas em economia, não estão exagerando na dose? E será que não é por isso que Nelson Motta não enxerga o declínio da influência dos chamados formadores de opinião? (leia aqui o artigo de Motta, também no Globo).

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