Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...
De início, respondi afirmando que as duas falas de Lula não se opõem, uma vez que Bolsa Família não é assistencialismo nem pura entrega de cestas básicas. É, na verdade, transferência de renda - o que, já comprovam os estudos feitos, contribui para uma maior autonomia dos beneficiados em busca de serem senhores de suas próprias vidas. Por isso, Bolsa Família deve ter porta de saída.
Em resposta, meu amigo reafirmou que as falas são claras e que a única diferença é que uma foi feita antes de ser presidente e a outra quando era.
Reforcei meu ponto, dizendo que ele não havia entendido nem o que dissera Lula nem o que eu mesmo disse. Bolsa Família não é distribuição de alimento. É transferência de renda. Os efeitos das duas coisas são muito diferentes.
Ter o dinheiro no bolso me faz pensar o que eu quero fazer com ele, me faz ter autonomia. É muito diferente de receber uma cesta básica em troca de votos ou de um puro assistencialismo. Lula, no segundo vídeo, fala de assistencialismo não de transferência de renda.
Além de tudo o Bolsa Família exige que as famílias tenham as crianças na escola e com cartões de vacinação em dia, por exemplo.
Faz também com que o povo entenda que tem direito a algo mais que um emprego que lhe faça ficar de sol a sol capinando o campo dos outros, ou vigiando a casa do outro: ele sabe que pode ter um emprego melhor com salário melhor.
Aliás essa é a origem da ideia da tal "preguiça" com respeito aos seus beneficiários: a elite não entendeu que agora o trabalhador sabe que merece ter melhores condições de trabalho e melhores salários. Não vai aceitar qualquer coisa: melhor ficar como beneficiário do que num subemprego. E isso é extremamente positivo: demonstra que o cara se tornou sujeito ativo de sua história. Ninguém o manipula mais. Isso tudo mostra como é diferente um programa como Bolsa Família do puro assistencialismo. Não significa que o programa não podia ser melhor. Eu concordo com Frei Betto, particularmente, quando entende que o Bolsa Família é um programa inferior ao Fome Zero. E é dessa inferioridade que nascem os episódios de corrupção e falhas nos controles do programa, entre outras falhas, algumas mais sérias, outras menos.
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