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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#GovRosaDem: Dois anos perdidos

Por Fernando Mineiro

Rosalba Ciarlini, do DEM - RN, chega à metade de sua gestão como governadora do Rio Grande do Norte carregando um desgaste impensável para quem, nas eleições de 2010, mobilizou a sociedade potiguar vendendo a ideia de uma boa gestora. Com o slogan “Pra Fazer Acontecer”, se elegeu logo no primeiro turno criando uma grande expectativa em relação à sua gestão. Passados dois anos se constata que os feitos e os acontecidos não são exatamente aqueles apregoados em praça pública.

Em termos de desenvolvimento, o estado do Rio Grande do Norte teve dois anos perdidos, sem projetos e sem rumo. O governo Rosalba foi incapaz de apresentar até agora sequer uma ideia -força que mobilize, envolva e anime setores da sociedade na busca de sua implementação. Em 2011, investiu não mais do que 12% do previsto e tudo indica que em 2012 não será diferente. De janeiro a outubro deste ano, o investimento liquidado foi da ordem de 12,96%, exatos R$164.383.115,96 dos R$1.268.373.358,11 previstos.

As obras de restauração e construção de cerca de 25 rodovias, já licitadas e contratadas, estão paralisadas ou atrasadas. Entre elas, o prolongamento da Av. Prudente de Morais, os acessos ao Aeroporto de São Gonçalo, a Estrada do Melão em Mossoró e a RN- 087 (São Tomé), pra citar apenas algumas. Em todo o estado, várias obras de saneamento ainda não saíram do papel.

O turismo, setor fundamental para a economia do estado, nunca se sentiu tão órfão. Até agora nada de destaque se fez acontecer na área e não se tem notícias da aplicação dos 41 milhões de dólares disponíveis via Prodetur.

As obras - emergenciais e estruturantes - de enfrentamento dos efeitos da seca estão, todas elas, de poços tubulares a adutoras, com cronogramas atrasados a despeito dos recursos disponíveis.

As áreas de saúde, segurança, educação, cultura, assistência social e agricultura sofrem com a falta de prioridades na destinação dos recursos.

A saúde é o retrato do caos. Os únicos resultados do estado de calamidade pública decretado há quase seis meses foram as contratações de serviços sem licitação, reforçando ainda mais o processo de privatização do setor. A segurança é um dos serviços mais mal avaliados do governo Rosalba, que sequer conseguiu concluir os concursos para contratação dos efetivos necessários. A educação termina o ano com falta de professores em algumas disciplinas, com reformas em apenas 49 das 760 escolas, sem uma política continuada de formação de professores e sem um projeto pedagógico definido. A cultura é confundida com evento, o fundo de cultura não saiu do papel e a criação da secretaria foi um mecanismo para tão somente driblar a lei do nepotismo.

A área de assistência social foi relegada à administração dos programas federais. Esvaziada, a secretaria é tão somente uma repartição de replicagem das ações federais, sem programas específicos depois do fim do Programa de Desenvolvimento Solidário financiado pelo Banco Mundial. E ninguém sabe ninguém viu nesta gestão as políticas voltadas para criança e adolescente, juventude, gênero e igualdade racial. A agricultura e órgãos vinculados à área passam por um processo de desmonte, paralisando as ações iniciadas nos últimos anos. Há um longo período a área está acéfala.

Os servidores amargam o não cumprimento dos Planos de Cargos e Salários até mesmo depois da Justiça determinar que fossem cumpridos.
E não se diga que a atual situação é reflexo apenas das dificuldades que atingem todos os estados brasileiros. Com a arrecadação acima do previsto neste 2012, o Rio Grande do Norte paga o preço de ser vítima de um estilo de governo. Sem prioridades definidas à luz das políticas públicas, o estado é administrado de forma extremamente centralizada, de acordo com os humores e interesses do casal que dirige os destinos deste Rio Grande sem sorte.

Até mesmo os aliados de primeira hora, excluídos que estão do núcleo decisório, já expõem publicamente a suas insatisfações com os rumos do governo.
Caso não abra mão do estilo centralizador e provinciano de administrar, marcado pela falta de planejamento, de pouco adiantará ao #GovRosaDem a perspectiva de empréstimos de cerca 1,5 bilhões destinados a investimentos públicos. Entre ter a autorização para os empréstimos e, principalmente, executar obras e ações que recuperem o tempo perdido existe uma grande distância. Percorrer esta distância nos próximos dois anos é o que livrará Rosalba do aprofundamento e consolidação da micarlização de seu governo.

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