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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Governo Dilma e os cadastros biopolíticos

Por Idelber Avelar
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Esta é uma daquelas atrocidades que passam desapercebidas pelos incautos, até que seja tarde demais. O governo anunciou um cadastro compulsório de portadores de HIV. Deu na Bergamo (http://bit.ly/12OAez5) e deu também no Correio Braziliense (http://bit.ly/10jcJzo). Os médicos e laboratórios serão OBRIGADOS a repassar ao governo os nomes e perfis de todos os pacientes HIV-positivos.

O governo Dilma está se especializando em cadastros biopolíticos compulsórios anunciados na surdina do intervalo entre Natal e Ano Novo. Para quem não se lembra, 2011 foi a mesma coisa, com o espantoso cadastro compulsório de gestantes, uma brutal violação da privacidade das mulheres. Na época, eu e a jurista feminista mineira Cynthia Semíramis escrevemos o texto "Cadastro de gestantes e bolsa-chocadeira" (http://bit.ly/AFnUWp), em protesto. Fomos atacados de todas as maneiras possíveis (menos aquelas que contêm algum argumento relevante sobre o tema, o que não é o forte dos governistas) mas, graças ao barulho gerado, o governo parcialmente voltou atrás (http://bit.ly/10jgbKA). O que nos deixa a lição número 1: quem muda políticas públicas são os cidadãos que se mobilizam para protestar segundo suas convicções, não os cabisbaixos e obedientes pseudomilitantes que dizem "sim, senhor" a tudo o que o seu partido faz no poder.

Agora, nos deparamos de novo com outro terrorífico cadastro biopolítico compulsório. Uma lista de todos os HIV-positivos do Brasil? Em mãos do governo? Obrigatoriamente cedida pelos laboratórios? Sem nenhuma política pública de combate à homofobia? Sem termos avançado um centímetro em cidadania LGBT? Em meio a um surto assustador de assassinatos homofóbicos no Brasil? Ainda com a conversa mole de "sua privacidade será respeitada?"

Quando você acha que o governo Dilma chegou ao fundo do poço em matéria de Direitos Humanos, eles arrumam um jeito de cavar um subsolo.

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