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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Enquanto Natal afunda, prefeito realiza festa privada com dinheiro público

Por Antonino Andorelli
http://nossanatal.blogspot.com.br/2012/12/enquanto-natal-afunda-na-lama-seu.html

O Prefeito de Natal, Paulinho Freire, pediu ajuda ao Exército para tirar o lixo vergonhosamente acumulado nas calçadas e canteiros da cidade. Pergunto: uma administração municipal que não tem recursos para coletar o lixo pode gastar rios de dinheiro para ajudar a promover uma festa privada (cuja segurança, limpeza, etc.
são por conta da Prefeitura)? Não poderia usar aqueles recursos para retirar o lixo das ruas? Ou o Exército precisa poupá-la desse gasto para que possa injetar mais recursos numa micareta? E, coincidentemente, logo no final de semana anterior a essa festa?

Outras perguntas: uma Prefeitura que não paga há mais de três meses os professores das escolas municipais e há mais de seis meses vários outros funcionários públicos pode gastar dinheiro para ajudar a promover uma festa privada? Uma cidade cuja saúde foi declarada em estado de calamidade pode destinar recursos para contribuir com a promoção de um Carnaval fora de época?

Para quem não vive na capital potiguar, é bom informar que o atual Prefeito - que substituiu a Prefeita cassada pela Justiça, Micarla de Souza, de quem era vice - é o proprietário da empresa promotora de uma das maiores micaretas do país, o Carnatal, que acontece daqui a uma semana. Como sempre, ou talvez mais ainda dada essa infeliz coincidência entre quem ocupa o máximo cargo do Executivo municipal e quem promove a festa, o Carnatal vai parar a cidade inteira durante quatro dias e contar com um consistente apoio financeiro e logístico da Prefeitura. Tudo para que uma ínfima minoria de cidadãos possa pular, brincar, se embriagar, beijar qualquer pessoa que passar pela frente, transar enquanto a gigantesca maioria dos natalenses vai sofrer todo tipo de transtorno – mobilidade urbana atrapalhada, aumento dos crimes, acidentes de trânsito por causa da bebida, brigas na rua, sujeira, barulho ensurdecedor noite adentro em um bairro inteiro, etc. - durante aqueles dias.

Canteiros e calçadas abarrotados de lixo há semanas; unidades de saúde sem remédios, leitos, itens básicos para o atendimento como gazes, desinfetantes, etc. e às vezes sem médicos; professores sem receber há meses, escolas no caos e o risco do ano letivo ser cancelado, prejudicando milhares de alunos. Nas atuais condições em que se encontra a capital do Rio Grande do Norte, realizar o Carnatal vai ser um crime contra a cidade e todos os seus habitantes.

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