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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Cenas de um golpe contra 27 mil eleitores

Algumas cenas do golpe contra a democracia e o voto de 27 mil eleitores:

1. No último dia 4 de dezembro, terça-feira, o pleno do Tribunal Regional Eleitoral decidiu por 4 votos a 2 em favor do pleito de Ranieri Barbosa (PRB) e George Câmara (PCdoB), considerando válidos, até a votação do mérito da questão, os votos dados à Coligação União Por Natal 2.  Desse modo, a lista de eleitos do TRE deveria ter sido retificada e ali os nomes de Edivan Martins (PV) e Cláudio Porpino (PSB) substituídos pelos nomes de George e Ranieri.  Uma semana depois, a lista continua inalterada.  A inação do juiz Ibanez Monteiro pode ser entendida como prevaricação?  Leitores do blog, do campo do direito, disseram que sim.

2. Forças ocultas com representações bem visíveis, como Erick Pereira e Henrique Alves, continuam agindo para convencer o TRE a decidir contra George e Raniere.  Isso nos faz pensar porque um sujeito que provavelmente será presidente da Câmara Federal - apesar da Operação Assepsia - se interessa em uma eleição da Câmara Municipal a ponto de afrontar a democracia?  O que terá a esconder?
As forças ocultas conseguiram modificar a voto do juiz eleitoral Carlos Virgílio - Virgílio votara em favor de George e Ranieri na primeira sessão que discutiu a decisão de retirada de ambos da lista de eleito, mas após a retomada, dia 4, mudou o voto.  Foi voto vencido, ao lado do presidente, desembargador Rebouças.

3. Enquanto o TRE adia a alteração da lista de eleitos - como também a decisão sobre o mérito da questão, que ficou para quinta - as forças ocultas ganham mais tempo para reverter o cenário favorável a George e Ranieri.  Esse cenário foi constituído a partir da decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE.  Depois, a divulgação do parecer do Procurador Regional Eleitoral, em favor da manutenção de George e Ranieri como eleitos.  Por fim, a própria decisão do pleno na semana passada.
Como parte dessa estratégia, a mídia apoiadora de Edivan termina por construir um cenário de favas contadas para o assunto.
Não à toa, na manhã de hoje o entrevistado do Bom Dia RN, da InterTV Cabugi, foi Erick Pereira, advogado de Edivan.  Nenhum representante da coligação União Por Natal 2 foi ouvido.

4. A decisão ficou para quinta, véspera da diplomação dos eleitos.  A esta altura, deveriam estar na lista para serem diplomados George e Ranieri.  Não estão.  Caso a decisão seja adiada sem resolução, e a lista não for alterada como determinado pelo TRE na terça-feira passada, quem serão os diplomados?
Parece que o cenário de situação decidida que quer construir parte da imprensa - para o que contribui o tal manifesto de vereadores em favor da reeleição de Edivan Martins como presidente da Casa - serve para naturalizar o golpe e evitar conflitos caso Edivan e Cláudio sejam diplomados irregularmente.

5. O último elemento desse movimento de golpe emergiu hoje das trevas e das forças ocultas nada democráticas em questão.  No dia 4, mesmo com a decisão já consolidada, o presidente do TRE, desembargador João Rebouças, fez um longo discurso criticando a decisão tomada pelos colegas e saindo em defesa de Edivan Martins, de um mandato para ele.
Hoje ficamos sabendo que se chama Cristiano Barros o provável motivo do discurso.  E seu salário é de nove mil reais, pagos pela Câmara, em um cargo para o qual foi nomeado pelo presidente, Edivan.  Cristiano é o namorado de uma das filhas de Rebouças - a única solteira.
No mínimo, o presidente deveria se declarar suspeito.  Ele, aliás, que é um dos cinco desembargadores do RN sob investigação no Conselho Nacional da Justiça.

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