Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O que é um Pai? Da Psicanálise ao cinema, de Gonzagão para Gonzaguinha

Por Cristiana Leite

O que é um Pai foi uma das questões enigmáticas até mesmo para o Pai da Psicanálise, Freud procurou desvendar o que significa um Pai e em sua obra vemos importantes contribuições da ficção, da literatura, dos mitos e dos romances.
Na tragédia de Sófocles , Freud se apóia sobre o mito na tentativa de responder ao enigma e a partir daí escreve a teoria das neuroses, sendo o complexo de Édipo um conceito fundamental para a estruturação do sujeito, os limites do objeto desejável, as identificações e que tem como figura central e nuclear: O Pai.
Lacan, considerado o filósofo da Psicanálise, também teoriza e metaforiza a questão do Pai e a importância do conceito: O-Nome-do-Pai para a estruturação da personalidade do sujeito e a implicação da falta (simbólica) do Pai, nas Psicoses.
Essa questão permeia todos os minutos do filme de Breno Silveira: Gonzagão: de Pai para filho.O filme emociona na mostra da relação de amor e ódio, de faltas e identificações com um Pai que se ausentou e sofreu, de um filho que conseguiu sublimar suas angústias, ambos através da música.
Em várias cenas, Gonzaguinha tem que afirmar que É filho de Gonzagão, ele chega a mostrar a carteira de identidade, falar o nome do Pai completo, para ele não mais duvidar e ser reconhecido, amar e ser amado por seu Pai.
A relação entre eles é conflituosa e o tema central é justamente o acerto de contas, é a narrativa de um homem que queria dar o melhor para o seu filho, garantir "um futuro promissor " e em um dos diálogos verbaliza que não deixou faltar nada para ele, momento em que o filho fala que só faltou ele, o Pai.
No filme não reconhecemos vilões e culpados, mas sujeitos que em suas histórias de vida tiveram muito sofrimento e que conseguiram reconciliar-se, porque de alguma forma o Pai foi internalizado no filho e este pôde perdoar, ainda em tempo de seguirem juntos a mesma trajetória.
Gonzagão e Gonzaguinha, são Pai e filho que viveram toda a complexidade da relação e nos enriqueceram com suas experiências musicadas e letradas da mais pura emoção e sentimentos inconscientes revelados tão lindamente.Um caso de revelação e sucesso da função Paterna.Um filme recomendável para Pais e filhos.


"Eu apenas queria que você soubesse, que aquela alegria ainda está comigo, e que a minha ternura não ficou na estrada, não ficou no tempo presa na poeira..."

Comentários

Postagens mais visitadas