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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Denúncia da Folha apresenta inconsistências

Tem alguma coisa estranha nesta matéria aqui, na Folha de São Paulo de hoje.
A matéria denuncia o repasse de verbas de publicidade do governo federal a jornais do grupo Laujar que, na realidade, não existiriam no interior paulista.
A julgar pela autoafirmação de circulação dos veículos, os jornais com patrocínio do governo somavam 250 mil de exemplares.
A Folha afirma que os jornais têm fortes indícios de que são falsos.
Diz a matéria também que a "Laujar mandou as supostas edições do dia 15 de março do ano passado do 'Jornal do ABC Paulista', 'O Dia de Guarulhos', 'Gazeta de Osasco', 'Diário de Cubatão e 'O Paulistano'.
Todas elas têm os mesmos textos --a única diferença é o nome da publicação".
É aí que a matéria da Folha parece ter alguma coisa errada.  Ela é ilustrada por um infográfico que alinha os indícios de que os jornais não existem e as brechas da Secretaria de Comunicação da presidência para que fraudes assim ocorram:


Os jornais enviados para a comprovação à Secom seriam de 15 de março de 2011.  E os jornais seriam iguais, inclusive nos textos, exceto pelo nome dos veículos.
É aí que a história não combina com as ilustrações.
As imagens do Jornal do ABC Paulista e do Jornal O dia de Guarulhos têm diagramação semelhante, mas notícias diferentes.  Além disso, essas notícias não são de março de 2011, mas de setembro passado.  O Jornal do ABC Paulista tem na manchete principal a notícia de que "[Marcos] Valério afirma que Lula era o 'chefe' do mensalão".  O Jornal O dia de Guarulhos tem como manchete "Marta Suplicy assume ataques a Russomano", com foto de um comício da eleição deste ano em São Paulo.  Os jornais têm textos diferentes, ao contrário do que afirma a matéria da Folha.
Essas imagens apontam um de dois problemas - que podem, inclusive, serem concomitantes.  Primeiro, os jornais enviados para comprovação na Secom não foram os de 15 de março do ano passado - mas aí cria-se outro problema já que a própria reportagem informa que o governo deixou de patrocinar os jornais em maio de 2012.  Segundo, os jornais circulam até hoje, mesmo com a matéria dizendo que não circulam.  Somente assim, seria possível terem notícias publicadas no último mês de setembro na capa.
A matéria da Folha diz que os jornais trazem como lema no cabeçalho o mesmo que o jornal paulistano: "Um jornal a serviço do Brasil".  Esse lema não está visível, no entanto, nas capas reproduzidas acima.
Qual será o motivo de tantos problemas nessa denúncia da Folha?

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