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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ausência de projeto político, Claudia Regina e a contratação da Falconi Consultoria

Por Daniel Menezes
Na Carta Potiguar

O negócio de trazer consultoria pra gerir prefeitura nunca colou. Não deu certo com Cortez Pereira, não emplacou com Micarla e, provavelmente, nada trará de especial para a gestão Claudia Regina, a não ser o valor, que costuma ser bem salgado.

A Falconi Consultoria, contratada pela mossoroense, não foi eleita, mas Claudia Regina. Além disso, pela subjetividade embutida, a compra de um bem imaterial não tem parâmetro claro. Pode ser porta de entrada para corrupção. Micarla, por exemplo, trouxe para a sua gestão, a peso de ouro, a principal escola de administração do país, a FGV. E o resultado está para todos verem.

O problema está na falsa concepção de enxergar a máquina pública como uma empresa. Ora, uma empresa não precisa, pelo menos em tese, se relacionar com partidos políticos, procurar legitimidade social para as suas ações, respeitar princípios que são inerentes a administração estatal, produzir escolhas sobre se é mais importante construir um hospital, ou pavimentar uma rua.

Nessa fico com o sociólogo Max Weber, que ao contrário dos tempos atuais, sempre acreditou na força da política e temeu, ainda que reconhecesse sua importância, o avanço da burocracia. É que a administração (razão instrumental) é insensível. Como mostrou a escola de frankfurt, funciona para executar um plano de ação para melhorar a distribuição de um serviço, como também para matar mais gente, conforme ocorreu nos campos nazistas. Necessita, portanto, da política para ditar uma agenda sobre o que deve ou não ser feito, seguido, atingido.

A medida de contratar uma consultoria, também política, é um sinal dos tempos e do modo como a direita tende a agir. Quando chega ao poder, tende a esquecer (Claudia tem alguma?) das questões substantivas (desigualdade, crescimento, inclusão, etc) – da grande política, diria Gramsci -, para resumir tudo às atividades administrativas, corriqueiras – pequena política, seguindo ainda as palavras do teórico italiano.

Torço para que o jornalista Cassiano Arruda, que criticou ferozmente a contratação da FGV no período Micarla de Sousa, mantenha a coerência.

PS. Fafá Rosado, atual prefeita e que também é do grupo de Claudia Regina, disse que a prefeitura passa por dificuldades financeiras. Não para as consultorias.

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